Feitiço

24 julho 2019
Quando pensei, uma única vez com lógica, e não transcorri na loucura mastigada de pouquíssimos achismos, mais internos do que externos, e raramente sentidos em uma linha reta, percebi finalmente que não havia sentido em recorrer a feitiçaria para alcançar um amor nascido de mim e que nunca, em momento algum, me pertenceu. Soltei esse sentimento ao mundo, na folhagem consumida pelos dias em que nenhum sol se atreveu a aparecer por detrás das nuvens, imprevisto por quaisquer finais imagináveis. Invocar uma magia negra, saltitar entre encruzilhadas, trazer a superfície os espíritos para ter um corpo no qual pudesse se contrair acima do meu, aquecer-me contra as friezas de dias quentes, e as tempestades de dias mornos, não parecia certo. Se tivesse consequências irreversíveis, o medo seria manifestação física  dos meus receios, um dos avisos mais alarmantes se baseou em "uma vida desgraçada por tantos anos, uma infelicidade maior do que se CONSEGUE suportar", e como resposta pensei que nenhuma desgraça seria pior do que viver o restante da pequena finitude carregando um abismo sufocante no peito em que não há opção de lançar-se contra ele ou recuar. 

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