Tecer

13 junho 2019

Acordei e da minha janela, hoje o dia estava cinza. Não era apenas o céu que reverberada um tom morno, fosco, a secura da minha alma era igualmente cinzenta. 

Perguntei-me se sou realmente bom no que faço, e ontem a noite eu chorei sem de fato conseguir encontrar uma resposta. Tentei descobrir, no decorrer tão fino do meu choro silencioso perdendo espaço nas maças úmidas do rosto, se de fato possuo algum talento, por mais ínfimo que seja, ou se tudo o que faço: tecer tecidos dentro da alma, minha e de outros, é expressão vazia, um abismo de nada, uma capacidade oca. 

O tapete felpudo permitiu poucas cócegas na sola descalça do pé, antes que um chinelo partido e prendido com um prego enferrujado me protegesse da frieza tão dolorosa do chão. Chorei novamente, dessa vez com a ponta de uma dor me enfurecendo as entranhas, um pesar interno devastador. 

Gotas salgadas roçavam meus lábios na profundidade de um vazio internalizado na garganta. Perguntei-me, dessa vez na invasão repentina de um padecimento meu, se realmente entrelaço tecido com agulha, compondo teares em roupagem nova, em vestimenta graciosa para mim e outros, ou se me arrisco no tecido, fiares desordenados em farrapo.

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