Era Meu Esse Rosto | Marcia Tiburi

10 abril 2019

Era Meu Esse Rosto da autora Marcia Tiburi possui uma prosa excessivamente poética, frases construídas com metáforas e efeitos linguísticos que enriquecem a narrativa e com a inserção de elementos que permitem não apenas uma única interpretação final, porém várias à medida que o leitor concluí a sua leitura, pois são capítulos imbuídos de sentimentos e intensidade emocional, onde há frases que marcam profundamente o texto e que mexem de modo bastante reflexivo conosco.

FICHA TÉCNICA                                                                                                                       
Autora: Marcia Tiburi
Título: Era Meu Esse Rosto
Ano: 2014
Editora: Record
Edição: 2ª edição

Os capítulos são alternados entre a infância do protagonista – uma voz masculina já adulta que conta em uma ordem cronológica diferenciada do que estamos habituados dentro da literatura contemporânea, a sua relação com seus avós, tios, e irmãos em um ambiente marcado pela obsessão com a morte e todos os contornos e expressividades que a envolvem, vendo-a como uma sombra que sempre acompanha o indivíduo – e entre o protagonista adulto que em busca da resolução de pontas soltas que carrega consigo desde a infância embarca em uma cidade que desconhecemos sinalizada apenas pela letra V. 

As duas narrações dissemelhantes se completam, e enquanto uma mostra o início de uma paixão descoberta a partir da máquina fotográfica roubada do tio, a outra nos apresenta a grande necessidade do protagonista em registrar através de sua lente as facetas do que é observável, estatizar as impressões que muitas vezes nossos olhos não permitem perceber. 

É uma obra repleta de complexidade, e existem, por todo o texto, instantes de não entendimento, de reflexões e questionamentos, porém é uma leitura de reconhecimento em um retrocesso em busca do passado, das origens familiares, da memória resguardada e oculta, onde tanto o presente como o passado se complementam, se entrelaçam formando um rosto com fragmentos do que foi. É uma leitura valiosa por nos apresentar um adulto que pelo seu ponto de vista nos apresenta fatos e acontecimentos onde a morte pode ser vista em contraste com a própria vida, como se as duas dialogassem entre si, tal percepção fica clara ao lermos:

não posso dizer que sei a diferença entre a vida e a morte

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