Você não se lembra nenhum pouquinho da gente?

09 setembro 2018

- Oi.
- Quanto tempo!
- Verdade. 
- Você mudou.
- Não.
- Tá diferente. 
- Talvez.
- Parece que amadureceu. 
- É, bastante.
- Tô vendo que cortou o cabelo. 
- Cortei. 
- Ficou legal. 
- Obrigado. 
- Como você tá?
- Tô bem. E como andam as coisas?
- É difícil. 
- O quê?
- Explicar. 
- Como assim?
- É que...
- Continua. 
- Não. 
- Vai, fala.
- Melhor não. 
- Porque?
- Não é nada demais. 
- Então termina. 
- Só tô impressionado. 
- Com o quê?
- Com você.  
- Comigo? Mas...
- Nem te reconheço. 
- É, eu cresci. 
- O tempo passou rápido então.
- Passou mesmo. 
- Quatro anos. 
- Não entendi. 
- Deixa pra lá. 
- Fala. 
- Você não se lembra?
- Do quê?
- Não tem mais importância. 
- E eu devia me importar com o quê?
- Sabe que dia é hoje?
- Claro, é sábado. 
- Dia 15. 
- E daí?
- E o mês?
- Novembro
- Você não se lembra de novembro?
- Não estou entendo.
- Novembro de quatro anos atrás. Não se lembra?
- Não, eu deveria?
- Desculpa, esquece. 
- Me explica, por favor. 
- Você não vai entender. É que você foi a pessoa mais importante que já conheci, a única que foi capaz de mudar cada ponta solta. Assumo que eu deveria ter dado a minha vida pra fazer essa nossa história de quatro anos atrás dar certo, mas cê foi embora. Eu deixei você ir tão facilmente que naquele instante não percebi o quanto isso era capaz de me matar. E sem você, parece que passei esses últimos anos sendo devorado por dentro, sentindo sua falta toda vez em que acordava e percebia que cê nunca mais ia voltar. Tentei superar. Tentei cicatrizar o ferimento, estancar o sangue, mas o corte acabou sendo fundo demais. Demorou pra curar, mas recuperei as minhas forças, e segui em frente, mesmo sabendo que cê nunca mais seria minha, porque eu deixei você ir, deixei que você partisse, deixei que você falasse aquele adeus que jurou nunca dizer. Não tentei te impedir, não te chamei pra uma conversa, não te dei nenhum motivo pra não ir embora, e por isso você foi.
- Cê que sabe. 
- Então tchau. 
- Adeus. 

Sinto tanta saudade de você, cara

06 setembro 2018

Não sei se você percebeu, mas estou tentando me acostumar a sua falta. A gente se separar foi inevitável, e às vezes parece que a vida nos obriga a dizer um adeus mesmo quando não queremos. E foi exatamente isso que aconteceu: cada um foi pro seu canto viver os seus próprios sonhos, e eu tentei de todas as formas te manter no passado, mas você nunca conseguiu ficar longe, não é? Mesmo morando a quilômetros de distância você sempre pareceu estar comigo, mesmo quando eu dizia que não merecia todos os esforços que você já fez pra me ver bem, com aquele sorriso tímido que cê tanto adorava e que fazia questão de ser o motivo por trás dele.

Se lembra de quando eu dormia sem querer em uma daquelas aulas chatas e você ficava me olhando como se isso fosse o seu hobby favorito da noite? Eu tenho sentindo tanta falta disso, principalmente de quando assistíamos aqueles documentários e você tocava minha mão de um jeito que me fazia se sentir tão bem ao seu lado, como se o restante não importasse tanto. Tinha vezes em que eu estava tão sobrecarregada depois de um dia cheio, e você estava lá, tendo a mesma rotina, e ainda assim me dizendo algumas coisas que me deixavam toda boba, porque era tudo o que eu precisava ouvir e você sempre tinha as palavras certas na ponta da língua.

Eu sempre entendia quando você estava tão cheio de preocupações, e quando não era o seu trampo, com certeza eram aqueles trabalhos que fazia da escola, ou as lições que os nossos professores passavam pro dia seguinte, e mesmo assim você nunca pensou duas vezes em me dar um pouquinho da sua atenção, mesmo que fosse só pra saber como eu estava, porque a maioria das pessoas não se importam com a resposta, mas com você eu fazia questão de derramar até mesmo os menores dos meus problemas só pra ouvir um dos seus conselhos que tanto faziam diferença na minha vida.

E acho que você deve ter perdido a conta de quantas vezes eu já te disse que você seria um ótimo psicologo, né? Mas é que você sempre foi o cara que entendeu as minhas dores quando o mundo só fazia questão de julgar, e me estendeu a sua mão até mesmo quando eu achava que era invencível e que poderia superar qualquer decepção sozinha, mas é claro que eu precisei de você pra continuar de pé quando a vida dava uma daquelas rasteiras inesperadas. E depois de tudo, esse cara que está sempre preocupado comigo continua sendo você, mas isso não impede que a saudade dentro do peito aumente, e ao invés de diminuir, ela só aumenta, porque você não ficou só no passado, até hoje é mais presente do que imaginei que seria, e não dá pra me ver longe de você, por mais que eu já tenha pensando que assim seria melhor. 

Eu tenho medo de te perder

02 setembro 2018

Passei os últimos meses acreditando em nós, acreditando que esse amor todo seria o suficiente pra continuarmos juntos, mas eu tô começando a achar que não é, porque eu não tenho tanta confiança assim em nós, por mais que eu diga que sempre vou estar aí do seu lado, eu morro de medo das nossas promessas serem esquecidas no tempo, tenho pânico só de imaginar você me deixando de uma hora pra outra. 

E se você for embora a qualquer momento? Diz pra mim o que eu faço, porque se um dia eu acordar e perceber que a cama fica grande demais sem você, não vai existir ombro amigo capaz de me puxar pra longe da saudade que vai se espalhar pelo peito. Eu vou ficar sentindo a sua falta a cada segundo que perceber que você não vai estar do meu lado, nem hoje, nem amanhã, nem depois, e depois, e nunca mais. E sei que chorar não vai adiantar, nem se eu derramar um mar inteiro vai servir, porque você ainda vai preferir seguir a sua vida, só que dessa vez sem mim. 

E eu não vou poder fazer o mesmo se todas as minhas dúvidas consumirem as certezas que eu venho tentando manter aqui dentro. Como eu vou ficar se não existir mais nada pra sustentar o nosso amor? Como vou superar toda a minha fraqueza se algum dia eu só for capaz de enxergar o buraco que você deixou em mim?

Me apaixonei no primeiro segundo em que eu te vi, e isso já foi o suficiente pra eu querer juntar todas as minhas coisas com as suas e construir uma história pra gente, um futuro pra nós, e eu arrisquei todas as minhas fichas na certeza de que eu te amaria pra sempre, e é claro que eu vou, mas e você? E se um dia você viver e falar pra mim que cansou? Como eu vou reagir se te ouvir dizendo que a nossa história precisa de um ponto final? 

Provavelmente você vai me dar vários conselhos falando que alguns finais são inevitáveis e que precisamos continuar seguindo, mas em que direção eu vou seguir se você não estiver do meu lado pra caminhar junto comigo e pra me guiar quando eu estiver mais perdido que cego em tiroteio? 

Eu tenho medo da gente nunca mais se ver. Meu coração ainda bate todo descompassado sempre que tento imaginar a minha próxima semana sem as nossas conversas exageradas e todos os seus dramas que me rendem boas risadas, vou morrer de saudade se amanhã não ter mais os detalhes bobos que completam os meus dias, vou enlouquecer se não tiver mais a sua boca pra beijar. Eu preciso até das suas manias mais chatas pra implicar e até mesmo das brigas que nunca são brigas de verdade, porque a gente sempre acaba se abraçando e eu te amando cada vez mais. 

Metade da minha alma é insegurança, porque não sei lidar com a minha vida se você não estiver presente pra tornar cada segundinho perfeito. Tenho medo de não poder mais segurar a sua mão quando eu estiver enfrentando aqueles dias ruins que fazem qualquer um perder a cabeça, tenho medo de imaginar um futuro pra mim e você não estiver em nenhum dos meus planos. Só você pra arrancar todas as minhas inseguranças e fraquezas de uma vez só, apenas o nosso amor pra me fazer ver que sempre vou querer estar contigo, não importa quantos medos eu tenha ou se por acaso você é o motivo de alguns deles.