Esse não é um adeus, é um até breve

15 abril 2018

Não há nada igual a voltar a um lugar que permaneceu sem mudanças para descobrir o quanto mudou.
- Nelson Mandela

As palavras sempre foram a minha melhor companhia, e se eu sou do jeito que sou hoje, é por causa de cada um dos textos que eu construí ao longo da vida, cada metáfora me permitiu mudar, cada frase me fez enxergar o que antes parecia impossível, cada vírgula me deu espaço suficiente para respirar, para desconstruir as minhas verdades e certezas, cada reticências me fez pular a página e recomeçar, cada ponto me deu coragem para colocar fim a todas as minhas dúvidas, e por mais que eu saiba que nada disso irá mudar, eu preciso de um tempo esse blog precisa de um tempo.

Eu queria não precisar dizer esse adeus, até breve a tudo o que eu construí aqui, porque cada instante da minha vida está em algum pedaço de algum texto, em cada novo parágrafo, em toda leitura existe um pouco de quem eu fui e de quem eu sou, e eu até tenho a opção de não precisar dizer, mas eu preciso. Haverá uma hora em que será necessário abrir novas janelas, construir novas estradas, descobrir novos horizontes, aprender a ser feliz de verdade, e essa hora chegou pelo menos para mim. 

A gente amadurece com o tempo, aprende a amar, a ver quem realmente se preocupa conosco, aprende a dizer adeus a relacionamentos abusivos, aprende novos idiomas, aprende novos hábitos, a fazer novas comidas. E eu já cansei de tantas coisas, e às vezes o melhor que fazemos é mudar, porque a mudança garante o nosso desenvolvimento. Sinceramente, eu já não tenho a mesma disposição para querer mudar do mesmo jeito que eu queria a alguns meses atrás, já me perdi alguns passos do meus caminho nesse meio tempo, e eu já nem faço ideia de como seguir novamente. 

Eu comecei a faculdade, e muita coisa mudou. Precisei aprender a conciliar o serviço com o curso técnico, que já não me dá tanto prazer assim, que na verdade já não me dá prazer nenhum, somando com a faculdade, e tanta coisa parece diferente agora. Tanta coisa na qual eu não conseguia ver, agora parece ser óbvio o suficiente. Minha maior decepção foi não ter conseguido nenhuma faculdade pela qual eu me dediquei tanto durante esses meses, e isso me persegue quase sempre, porque nada do que eu faça me satisfaz por completo, nada do que eu faça me faz pensar que eu realmente fiz o suficiente, porque parece que nunca é. 

Essa culpa, essa insuficiência me consome, retira as minhas forças, me afasta da minha identidade, e eu já não consigo dar o meu melhor ou simplesmente ser o melhor. Sem contar a mania de criar comparações, seja quando se trata de cabelo, roupa, maquiagem, estudo, então eu nunca me sinto satisfeita demais para agradecer por cada uma das minhas conquistas ou os meus passos, é daí que surge a necessidade de dar um tempo para o blog. 

Já não me sinto completa do mesmo jeito, parece que toda essa minha rotina vem me consumindo, parece que existe algo errado na caminhada que estou seguindo, por isso preciso rever os meus passos, e para fazer isso, preciso focar em mim, olhar para dentro, sentar comigo mesma e conversar, bater um papo daqueles de encher os olhos de lágrima, tirar o peso do ombro e sossegar o coração, porque já não sou feliz com a maneira como estou levando a minha vida, e toda essa mudança vem de um único lugar: aqui dentro. 

Eu já não acredito nas mesmas coisas de antes, já não quero aceitar as mesmas coisas que antigamente engolia tão facilmente, agora não me conformo com tudo, já não quero viver sobre o dogma de precisar ajudar a todos o tempo todo, porque para isso, eu preciso me ajudar primeiro e não o contrário, algumas coisas me limitam e eu quero abrir mão exatamente disso, quero abraçar tudo o que me faz ir além  ❤️  Felipe.  ❤️

Esse não é um adeus, é um até breve. 

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