Eu não vou desistir de ter fé

19 janeiro 2017

Esses dias eu me lembrei de quando eu era criança e como tudo parecia mais fácil. Eu só tinha que me preocupar com aquela indecisão por não saber qual desenho escolher, ou quando era o momento certo pra guardar todos os brinquedos novamente na caixa antes de levar uma bronca pela bagunça, mas aí a gente cresce e entende que a vida não vai ser uma brincadeira pra sempre, e que existe hora marcada pra gente virar adulto, mas eu nunca imaginei que fosse ser assim, e agora bateu uma falta da época em que eu não fazia a menor ideia que o mundo se tornaria a crise que é hoje. 

Eu não sei se é coisa de signo, ou se é problema da minha personalidade, mas eu tenho uma mania absurda de criar planos dentro da cabeça até mesmo quando estou distraída, sou dessas que fazem uma lista enorme cheia de sonhos e objetivos, porque acha que talvez assim seja possível ficar no controle de tudo só pra evitar que a vida perca a direção. Eu sempre soube o que faria na quinta-feira a noite, quais eram os planos pro fim de semana ou como estaria a minha vida daqui uns anos. Eu tinha uma idade certa pra sair da casa dos pais e me virar sozinha, uma data certa de me jogar no mundo só pra entender quais eram os meus limites, qual seria o momento ideal pra começar um estágio ou me matricular na faculdade, porém cada certeza que eu tinha na vida se transformou em um monte de dúvidas que não dá pra substituir tão facilmente do jeito que imaginei, a vida deixou de seguir o mesmo rumo certeiro e agora parece um trem desgovernado. 

E eu sei não como parar. Não sei como vou dar um giro de 360 graus só pra colocar a minha cabeça no lugar, e também não faço ideia de como fazer a minha vida voltar a seguir em frente quando ainda tenho tantos assuntos não acabados que eu insisti em deixar pra trás só pra começar esse ano sem nenhuma pendência. A gente inventa um monte de coisa pra fazer no final do ano, e às vezes nada saí como o planejado. De tanto que eu insisti em dizer que aquela viagem pro México daria certo, acabei me frustando novamente, e apesar de ter jurado mais uma vez que economizaria meu dinheiro, tive mais gastos desnecessários do que investimentos, e antes do final do mês meu orçamento já estava no vermelho e todo o dinheiro contadinho só evitar que as dividas surgissem e as contas ficassem atrasadas mais um mês. 

Eu ainda consigo ficar surpresa só de imaginar como as coisas começaram a dar errado de uma hora pra outra. Nem sei como consegui sobreviver a tantos imprevistos. Era cada incidente que comecei a acreditar que era apenas mais uma pegadinha e que eu estava sendo o protagonista principal de todo o show, e quando me vi no fundo do poço, foi que percebi o quanto eu precisava esquecer alguns planos que criei, abdicar algumas vontades da minha lista, e deixar pra mais tarde alguns dos meus maiores sonhos, e tudo porque a realidade anda nos deixando esgotados demais, seja a faculdade e todos os seus trabalhos, ou o trampo e toda a sua pilha de tarefas, mas no meio de toda essa confusão que fui tentando depositar debaixo do tapete só pra evitar o trabalho de limpar, eu ainda tenho a minha Fé, e até o momento foi ela que me fez continuar em pé quando a pressão era demais, e todo o meu corpo já estava exausto. 

É a minha Fé que me faz acordar as 5 da manhã sabendo que vou ter que encarar o trânsito caótico de São Paulo e se eu não tiver muita sorte, um ônibus lotado até chegar no serviço. É essa minha fé que me faz esperar por um amanhã onde eu possa encarar o pôr-do-sol, e um azul intenso desenhado por todo o céu, um dia ensolarado desses que permita um passeio no parque e uma parada rápida pra tomar uma casquinha de baunilha. É a minha fé que me permite continuar quando o mundo dá aquelas patadas que só pioram os ferimentos que já estavam espalhados pelo corpo, é a fé que me permite encarar o lado bom da vida até mesmo quando os planos não dão certo, é a fé que me deixa preparada pro caso de algum imprevisto acontecer, porque você sabe como a vida é cheia de buracos. É essa mesma fé que nos abraça quando já não somos capazes de dar um passo se quer sozinhos, e não importa em quem ela for, pode ser em um deus, na família, no amor, em alguém, até em você. 

O importante é não desistir de ter fé, nem mesmo quando bate aquela vontade de ser criança, ou quando já começamos a segunda-feira lamentando. Não podemos esquecer que é a fé que nos mantem de pé quando o mundo ameaça dar algumas porradas só pra ver até onde a gente aguenta, mas o importante mesmo é saber que cada pancada só vai nos tornar ainda mais fortes pra resistir ao que virá pela manhã. 

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