Eu sinto muito por você, cara

09 dezembro 2016

Eu tentei desesperadamente te fazer ficar, e eu teria perdoado todos os seus erros se você tivesse pedido, porque na manhã seguinte eu teria agido como se eles nunca tivessem acontecido. Teria esquecido das vezes em que saiu da balada tão tarde cheirando a cigarro e com aquele bafo de cerveja horrível, teria fingindo que você se lembrou do meu aniversário e me deu os parabéns antes de todo mundo ao invés de sair com os seus amigos como se nada além disso merecesse o seu tempo, como se fosse fácil me descartar quando eu não fosse sua prioridade, mas eu sinto muito por você precisar sofrer as consequências das suas escolhas, sinto muito por você precisar encarar a sua vida como se nada de bom pudesse acontecer, porque quando a vida quis te dar uma razão para comemorar, você simplesmente ignorou.

Sinto muito pelas palavras que você nunca teve coragem de dizer, e nem sei se você tinha mesmo algo para falar, porque os seus silêncios diziam exatamente o contrário. Sinto muito pelo amor não reciproco que senti, o mesmo sentimento que me fez enxergar o mundo de outro jeito, menos a certeza de que você nunca estaria do meu lado como tanto imaginei, porque até hoje você não é de ninguém. Sinto muito por ter acreditando em tantas mentiras contadas pra me convencer de que um dia tudo seria diferente, e sinto ainda mais por saber que esse dia nunca chegou.

Sinto muito por você nunca ter mudado depois que apareci na sua vida tentando fazer de tudo para entrar a força aí nesse coração denso como gelo, uma tentativa que no final não significou nada para nenhum de nós, porque depois você agiu como se eu não fizesse diferença alguma, estando presente ou não. Sinto muito por você nunca ter sido o cara que sempre quis ter ao meu lado, e nem precisava ser o namorado perfeito, bastava ser amigo e eu sua confidente ou seu porto seguro.

Eu não precisava de beijos de segunda a domingo, não queria presentes caros no dia dos namorados e nem declarações copiadas do facebook, para ser sincera, nem presente eu queria, nem viagens luxuosas, nem joias caras, eu só queria você, nem que fosse quando você achasse um mínimo tempo para mim na sua agenda, nem que fosse depois do futebol com os seus amigos. Se você viesse inteiro, sem metades, eu teria te aceitado só com a roupa do corpo e um sorriso de quem daria tudo para ficar até mais tarde.

Mas eu sinto muito pelas escolhas que você fez e por todas as outras que deixou de fazer. Também sinto muito por tudo o que me causou, desde aquelas madrugadas em claro tentando imaginar onde foi que eu errei, se foi no meu jeito intenso de idealizar a vida ou se foi na atenção que tanto insisti em te dar, desde às vezes em que precisei engolir o choro porque eu ouvia o seu nome por aí em todos os cantos onde ia, e era sempre a mesma sensação de sentir o coração em tantos pedaços diferentes, até parecia que eu era fraca demais e incapaz de suportar.

Sinto muito pelo meu jeito estranho de encarar a ideia de que nunca seriamos nós, de que jamais iriamos criar nossos planos juntos. Sinto muito por finalmente ter percebido que o nosso futuro nunca existiu de fato. Chegou um momento em que as lágrimas pararam de sufocar, foi quando percebi que deveria doer mais em você do que em mim, se o arrependimento matasse, talvez você não tivesse achado um jeito de encarar suas próprias decisões. Sinto muito por você ter percebido que fez merda quando já era tarde demais para voltar atrás, quando um pedido de desculpa não é suficiente para apagar metade de uma dor que tanto me tirou o sono. 

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