Você não é o culpado pela minha ressaca

13 novembro 2016

A culpa é minha. Não tenho me sentido eu mesma nesses últimos dias. Estou tentando encontrar um jeito de arrumar a bagunça que você deixou aqui no peito, mas essa saudade é demais, e não passa, por mais que digam que quando eu menos esperar vou estar curada de você, do vazio cada vez mais fundo que sua ausência vem deixando. E entre um copo a mais de whisky barato e um gole de qualquer outra bebida, eu tento dizer a mim mesma que essa falta de sanidade é passageira, que depois vou estar longe o suficiente da paixão que eu costumava sentir quando estava com você. 

Mas até lá, prefiro me preocupar com uma dor de cabeça na manhã seguinte, porque cada gole rasga o peito e me afasta das lembranças que você deixou em mim, daquele dia no parque quando estávamos comemorando um mês de namoro, daqueles sorvetes que tomados em um fim quente de tarde porque eu odiava açaí, do beijo de despedida quando você me levava pra casa depois de um dia inteiro juntos. É a bebida que me mantém na linha, que me dá coragem para ficar onde estou e não pegar o próximo táxi até a sua casa só para ter algumas notícias suas. 

Sei que não deu certo, e que a culpa não foi sua e nem minha. Aconteceu. Fins são inevitáveis, e quando se trata de relacionamento, algumas histórias duram mais do que outras, e o nosso pequeno infinito terminou, mas eu não consigo entender onde erramos, e porque depois de tanto tempo juntos não demos mais uma chance de fazer diferente. Eu deveria ter insistido mais ao invés de ser a primeira a ter dado as costas a um erro bobo, mas essa é a escolha que me levou a frequentar tantos bares como uma fuga da realidade, e os copos na mão são como escapes de uma consciência pesada. Não deveria sentir tanta culpa, porém eu nunca estou sóbria o bastante para pensar com clareza, porque até hoje a culpa é tudo o restou de você. 

Me apeguei aos risos que um copo de whisky pode trazer, é quando sei que não preciso mais estar tão apegada ao passado. Por mais que esse status de solteira não seja tão importante, são essas amizades de balada me fazem não me sentir tão sozinha o tempo todo e muito menos perder a cabeça, porque parece que já perdi muito quando você foi embora. Não tá sendo fácil, e que ironia a minha ter falado que de um jeito ou de outro eu estaria curada, mas é impossível estar 100% novamente quando tudo em mim indica que estou apenas sobrevivendo a sua falta, e saber que você não vai voltar alimenta esse ódio que tenho de finais dolorosos como esse, mas eu também te culpa, porque no fundo sei que você não é o culpado pela minha ressaca. 

2 comentários:

  1. UOOOU, menina, o que é isso? Esse sentimento tão bem retratado... Muito real...
    Amei a parte :"porque até hoje a culpa é tudo o restou de você"... Adorei!

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    1. Fico tão feliz que você esteja acompanhado o blog e as minhas postagens cheias de um sentimento tão real, porque eu amo receber comentários como esse. É como o Fernando Pessoa falou uma vez, "eu simplesmente sinto com a imaginação". Obrigado pela visita e comentário. Beijos.

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