Filme Jonas no Caixa Belas Artes

02 novembro 2016

Até algumas semanas atrás, eu não fazia ideia da existência do Cine Belas Artes localizado na Rua Consolação, próximo a Avenida Paulista, e foi uma surpresa quando coloquei na agenda que um dia daria uma passadinha por lá para conhecer o local, e quando menos esperei, acabei indo hoje, em um domingo meio frio, meio quente, que acabou surpreendendo minhas expectativas. 

Acredito que essas estrelinhas mereçam um pouco da história do lugar. A exibição dos primeiros filmes se iniciou em 1956, e desde então suas telonas são usadas para expor filmes de todos os gêneros e nacionalidades distintas, porém é fácil perceber o quanto o cine incentiva as produções brasileiras que mostram um pouco a nossa cultura. O mais incrível é a criatividade por trás dos nomes das seis salas existentes até hoje; cada uma é batizada com um nome de algum artista brasileiro que marcou a história do país com sua arte. Villa-Lobos, Candido Portinari, Oscar Niemeyer, Aleijadinho, Mario de Andrade e Carmen Miranda.

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Houve várias ocasiões em que o cine foi fechado, algumas vezes devido a reformas e melhorias do prédio e outras por conta de suas portas estarem fechadas definitivamente para o público. Como já estava se transformando em um ponto de encontro para os apaixonados por arte e pelas produções contemporâneas, tal ação não foi encarado de braços cruzados. Uma grande quantidade de pessoas se uniram em manifestações contra o fechamento, e os dados afirmam que cerca de 90 mil assinaturas foram conseguidas, porém não houve outro caminho: o fechamento do local era inevitável. 

Em 2014, três anos após o fechamento do Cinema Belas Artes, a Prefeitura de São Paulo e a Caixa Econômica Federal tornaram possível sua abertura. E para nossa felicidade, o cine continua aberto até hoje, e espero que continue sendo um símbolo da nossa cultura e história. Nesse ano inaugurou a sala Drive Inainda não tive oportunidade de ir, uma sala que relembra os tempos em que o cinema era a céu aberto e as pessoas poderiam ir de carro assistir seus filmes favoritos. 

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Sobre o filme (direção Lô Politi)

Como o título do filme já deve sugerir, toda a trama ira em torno da vida de Jonas (Jesuíta Barbosa), um rapaz pobre que mora na periferia da Vila Madalena. O rapaz sempre fez o possível para manter um relacionamento agradável com sua mãe, porém com o seu pai já é outra história, ele não se intimida ao considerá-lo como mais um bêbado e irresponsável, parte do enredo que considerei importante quando Jonas sofre as consequências de seus próprios atos ao se entregar ao álcool. Como dizem, é fácil apontar os erros das pessoas e agir como se fosse permitido errar no seu caso. 

Sua mãe é empregada na casa de uma família de classe média alta, e durante a infância cresceu com os familiares da residência, porém o que Jonas não esperava era a volta de Branca (Laura Neiva), filha da patroa de sua mãe, uma jovem sedutora e simpática que usa todo o seu charme para conquistar quem desperta o seu interesse. Jonas sempre foi apaixonado pela garota, porém as diferenças tão nítidas entre eles os mantêm em mundos opostos e distantes. 


Como o filme se passa na época do Carnaval, em várias cenas é mostrado toda a preparação das escolas de samba para o desfile, desde a confecção das roupas e fantasias até a grande crianção de carros alegóricos. Branca se vê rendida pela alegria que o Carnaval pode trazer a comunidade, e não pensa duas vezes ao deixar claro em uma festa seu envolvimento com um traficante, enquanto também mantém contato com Fê, outro admirador envolvido com as drogas, e ambos sendo "amigos" de Jonas. 

Por conta de um acidente envolvendo ele, Branca e um dos seus admiradores, o rapaz se vê em um beco sem saída ao sequestrar sua grande paixão e mantê-la presa dentro de uma baleira enorme que será usada no desfile. No começo, Jonas afirma que a sequestrou para manter sua integridade protegida após o delito que cometeu, porém depois começa a se envolver com Branca de uma maneira tão intensa que é impossível para ela não se sentir atraído pelo jovem. Jonas muda os seus planos e juntos tentam encontrar uma saída da situação embaraçosa que enfrentam. 


Sem dúvidas, o filme é bom em vários sentidos, narra com facilidade a vida de jovens que são atraídos para qualquer tipo de diversão sem esperarem as consequências, pessoas movidas por paixões que os obrigam a lutarem por um amor que não passa de possessão. Jonas é um reflexo do quanto o Brasil atual separa os ricos dos pobres como água e óleo, criando a ideia de que é impossível unir pessoas de classes sociais tão distintas.  

Várias reflexões como essa me passaram pela cabeça, a principal delas é o quanto as pessoas se prendem a paixões ao invés de seguir em frente, o quanto elas enfrentam o mundo por um amor que está dentro da cabeça, isso não é pecado, é maravilhoso, porém com certa maturidade e impondo limites para não tornar essa paixão a responsável por tantas desgraças que acontecem. Um ponto talvez negativo foi o final, pois surge aquele grande ponto de interrogação e as dúvidas ficam soltas no ar como se alguém pudesse respondê-las. Aí cabe a pessoa considerar o que achar mais apropriado para a vida de Jonas. 

Se você gostou da resenha, não sabe o quanto ficarei feliz com um comentário expondo seu ponto de vista sobre o filme ou Cinema Caixa Belas Artes. Fique a vontade para contar suas visitas, e caso você seja como eu, nunca havia ouvido falar do local, digo outra vez o quanto vale a pena conhecer o lugar. Não esquema de seguir nas redes sociais para acompanhar outras resenhas e indicações. 

2 comentários:

  1. Fiquei afim de ver esse filme ♥ se não me engano já tinha visto algo sobre ele nun post do facebook, achei bacana

    http://www.gotasdecafe.com.br/

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    1. Vale a pena assistir esse filme. Volte mais vezes, amore, Ficarei feliz <3 beijos

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