10 de Novembro de 2011

10 novembro 2016

D, 

Já são cinco anos. Você sabe o que é isso? Sabe o que é ter esperança durante cinco anos inteiros e ter a impressão de que tantas expectativas podem não levar a nenhum lugar? Bom, eu posso tentar explicar o que é sentir um vazio no peito toda vez que me lembro daquele dia, aquele maldito dia em que você me deu certeza de que tudo daria certo, mas que no final roubou minhas certezas como alguém que vem na calada da noite para tomar tudo o que temos, você me marcou de um jeito tão dolorido que não é apenas a tatuagem que fiz no braço como marca da minha saudade, mas é uma dor que invade o coração e a alma toda vez que acho que estou curada. 

Fiquei sabendo que você mudou. De vez em quando fico tentando adivinhar o quanto você deve estar diferente agora, se está fazendo academia, ou se terminou os estudos, ou como anda o último emprego, mas eu não tenho tido muitas notícias suas ultimamente. A gente até se esbarrou esses dias, na fila do banco e no ônibus enquanto eu ia para o trabalho, e foram os dias mais incríveis que tive desde a primavera de 2011. Você estava tão perto de mim e ao mesmo tempo tão distante, eu estava com a sensação de que havia ganhado o mundo, mas em seguida senti como se tivesse perdido tudo. 

Queria que você voltasse, mesmo que fosse só com a roupa do corpo e um buque de flores na mão como nos filmes românticos depois de uma despedida, e olha que flores não são nem o meu presente favorito. Só basta você aparecer aqui no portão de casa e gritar o meu nome com todo o ar do pulmão, e eu estarei correndo apenas para sentir o quanto o seu abraço é real, mas isso é só um sonho, não é? Você nunca vai voltar, não importa o quanto eu encha sua caixa de entrada com mensagens, ou te mande aquele texto enorme no seu aniversário, ou queira estar contigo durante cada segundo da minha vida, você é teimoso demais para me aceitar ou me dar uma chance, por menor que seja. 

Mas eu não posso me culpar por ter esperança. Eu ainda te sinto com a mesma intensidade daquela quinta-feira, quando abro os meus diários mais antigos, você sempre volta, é como se quisesse dizer que nunca foi embora de verdade. Aquele beijo de fim de tarde, depois da saída da escola, o pressentimento de que você também poderia corresponder cada pedacinho de amor que eu sentia mesmo não sabendo amar direito, mas ao invés disso, você quebrou a minha confiança como alguém que deixa um espelho em cacos no chão. Você me beijou e foi como um adeus. Já perdi a conta de quantos caras já beijei e imaginei o seu hábito fresco, o gosto de melancia, a delicadeza de lábios tão firmes. Acho que mudei muitas vezes desde que você foi embora, mas não sei em quem me transformei até agora.

Sei que um texto não adianta muita coisa, porque eu não faço ideia do que fazer para você me amar também, e já me falaram tantas vezes que amor não se pede, mas eu só queria achar um jeito de mostrar que eu ainda estou aqui, esperando, tendo esperança, alimentando planos, tentando superar a sua falta. Se um dia o mundo te der as costas, e todos os seus planos não saírem como planejado, e sua família não te apoiar como você espera, e o seu coração for quebrado por alguma garota que você tenha se apaixonado, eu vou continuar aqui, mesmo que eu esteja do outro lado do mundo, mesmo que eu volte só para dizer que vai dar certo e que tudo bem não estar bem, para te dar um abraço que nunca tive oportunidade de dar, um beijo de boa noite na testa, porque eu te amo demais, e D, acho que sempre vou amar, mesmo não sabendo amar. 

2 comentários:

  1. Adorei seus textos!!!mt intensos e verdadeiros!!!amei mesmo,obg por fazer o que vc gosta e acredita...ou simplesmente encontrar a melhor e mais linda forma de seguir em frente:escrevendo!!!Carpe diem!!!

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    1. Anônimo, juro que eu adoraria saber quem você é, mas agradeço sinceramente pelas palavras, é tão inspirador ler algo assim, me motiva a continuar escrevendo, a colocar os sentimentos do mundo em um papel ou tentar decifrá-los nos meus textos, obrigado pelo carinho, significa muito para mim. Beijinhos.

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