Terça à noite

18 outubro 2016

É dia de pensar em nós, de refletir mais um trilhão de vezes os nossos planos que não deram certo. Do que foi e daquilo que ficou. Dia de sentir saudade do teu abraço, do teu sorriso, das nossas risadas, do teu olhar de desejo. Separei todas as minhas terças para lembrar dos nossos momentos e fazer mais mil planos que não iram se concretizar. Não que eu sofra ou goste de sentir dor, pois te ter perto de mim mesmo em pensamento me faz bem, é sensação de ser completa, é criar asas e voar para longe dos problemas, é sentir o coração pulsar um pouco mais forte, é ser leve mais uma vez. Me aconchego entre os cobertores que me aquecem até a alma e me imagino nos teus braços, desejo em sussurros que você possa sentir o quanto eu ainda te quero. 

Fecho os olhos e relembro aquele nosso abraço em frente à minha casa; era manhã de quarta, quinta? Isso eu já não lembro, só me recordo de não querer te soltar, de entender que você ainda não poderia ser totalmente meu. Pela primeira vez nos encontramos um no outro, me fiz inteira em você e os nossos corações pulsaram em sintonia, só faltou o beijo que o tempo não nos permitiu dar. Você levou consigo bem mais que metade do meu coração, carregou todo o meu querer, me roubou para si sem pensar duas vezes, me fez refém de um sentimento que hoje é pura lembrança. Infelizmente. Separei as terças-feiras não por escolha própria, mas porque foi em uma dessas que eu te vi ir embora para sempre da minha vida, foi a última vez que eu pude te olhar nos olhos e compreender que mesmo te amando por completo ainda não havia chegado a nossa hora. Dezenove de julho, terça à tarde, o amor da minha vida voou ainda para mais longe de mim. 

Em memória, ainda revivo esse momento. Tento pensar como teria sido se no lugar de te encarar eu tivesse te beijado, se no lugar de ter falado eu tivesse te amado, e se eu tivesse demonstrado mais? E se eu tivesse aberto o meu coração de uma vez? E se em vez de dizer que andei apreciando outros olhares eu tivesse dito que o único olhar que eu queria era o teu? Tudo teria sido diferente? Você ainda estaria aqui? Eu teria conseguido fazer você abrir mão de algumas coisas e embarcar comigo nessa inconstância que eu chamo de vida? Eu queria que a resposta fosse sim, mas como não tenho como obter resposta fico por aqui imaginando como tudo teria sido diferente se eu tivesse calado todos os meus "e se". Dezoito de outubro, terça à noite, quase três meses que eu não te vejo e mesmo assim ainda te desejo como na primeira vez que nos encontramos.

- Victória Dantas
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