A sua pequena cresceu

30 outubro 2016

Agora eu não serei mais aquela que te espera no ponto de ônibus para irmos juntos a faculdade como dois universitários que se amam. Eu não vou mais mandar aquela mensagem só para desejar que você tenha uma boa noite e sonhe com a gente indo na nossa primeira viagem juntos, agora vou esquecer o seu número dos contatos e te bloquear em todas as minhas redes sociais só para não ver o comentário de todas as garotas que você já pegou, porque eu não pretendo ser mais uma na sua listinha particular. 

Não vou mais insistir em jogar vídeo-game em um dia chuvoso e sem graça só mais cinco minutos antes de dividirmos o mesmo quarto durante apenas uma noite, como se fôssemos um casal que jurou amor eterno. Vou esquecer das vezes que você fez pipoca pra mim durante a maratona do meu filme favorito, vou fingir que você nunca soube quais eram os meus hobby's preferidos. 

Agora eu não consigo entender o que tanto vi em você que me fez esquecer do resto do mundo, mas aprendi que nunca mais vou querer abrir espaço pra você habitar em mim, nem mesmo pra cultivar promessas mal feitas por alguém que nunca se propôs a cumpri-las. Sabe aquela vez que te surpreendi com meu jeito meio desastrado de fazer brigadeiro de panela porque você parece uma formiga atraído por doce? Esquece todas essas vezes, porque agora elas não significam mais nada pra alguém como você. 

Jurei que tentaria criar um motivo novo para te fazer sorrir pela manhã, mas agora isso não me interessa mais. Não vou mais criar expectativas para o futuro, não vou mais me debruçar sobre possibilidades que não prendem minha atenção, não vou mais me agarrar em chances que sempre são esgotadas por erros que você insiste em cometer. Quer sabe, nem vou mais esquentar minha cabeça com seu jeito teimoso; quer saber, quando sair por aquela porta, vou me certificar de que você nunca volte, nem mesmo carregando um buquê de flores pronto pra comemorar meu aniversário. 

Vou recusar todos os seus convites, porque não quero despertar a sensação de quando você beija o meu pescoço e todas as partes de mim como se soubesse o atalho mais rápido para o meu coração, você sempre acha a saída desse labirinto que existe aqui dentro, mas agora eu sou mais complexa do que qualquer equação de matemática, e nem você com sua faculdade de engenharia vai conseguir decifrar esse segredo que vive aqui no peito. 

Vou fazer esse intervalo de tempo entre a gente ser muito longo para nunca mais precisar te ver novamente por aí. Vou fazer as horas que passamos juntos sumirem como por mágica, fazer os lugares pelos quais passamos se tornarem desconhecidos, fazer os seus beijos e abraços se evaporarem como uma válvula de escape pra nunca mais sentir o que você me fez sentir, porque depois que você estraga algo muito frágil, é difícil voltar a sua forma original, e o nosso sentimento só foi protegido por um de nós, e foi você quem estragou tudo outra vez. 

Narcos | Série

27 outubro 2016

Finalmente terminei de assistir a segunda temporada de Narcos, a série original da Netflix que está sendo comentada por tantos expectadores, e já vim correndo para expor minha opinião e todas as expectativas que tive com o desenrolar tão surpreendente da vida de Pablo Escobar, um dos traficantes mais conhecidos do mundo, lembrando que não sou nenhuma crítica de cinema, apenas uma apaixonada por séries.

Como já citei, a série narra a vida de Pablo Escobar e sua trajetória até ser considerado um dos homens mais perigosos, ricos e procurados que o mundo já conheceu, principalmente sobre sua ascensão na Colômbia e os detalhes de como todo o seu império construído a base de drogas e do tráfico se desmoronou lentamente, chegando até a sua decadência. 

Imagem: Via reprodução
Wagner Moura 
Pablo Escobar é interpretado pelo ator brasileiro Wagner Moura, o mesmo ator que fez o papel do Capitão Nascimento no filme Tropa de Elite, consagrado por expor o crime e a corrupção do Rio de Janeiro. Apesar de haver vários comentários negativos a cerca do espanhol do ator, já que dizem que seu sotaque deixa óbvio de que ele não é nativo da Colômbia e isso pode incomodar quem tem intimidade com a língua, sua atuação como Pablo ficou incrível. 

A série é narrada por Steve Murphy, um policial americano da DEA (controle anti-drogas); outro agente da DEA que também chamou minha atenção foi Javier Penã, um dos amigos mais próximos de Steve, e a atuação de Pedro Pascal me deixou fascinada (que cara gato). Javi, como às vezes é chamado, infelizmente teve que encarar as próprias consequências dos seus atos ao se meter com pessoas não confiáveis e perigosas ao achar que estava fazendo o necessário e o que era certo; espero que ele esteja na terceira temporada.

Imagem: via reprodução
Pedro Pascal
Mas enfim, voltando a falar de Pablo Escobar, sua personalidade foi capaz de despertar a ida de milhares de pessoas enquanto também foi capaz de ser amado intensamente por outras. Haviam muitos lados em jogo quando se tratava dele, mas sempre me questionei como era possível que Tata, sua esposa, o amasse tanto a ponto de apoiá-lo em todas suas atitudes terríveis e cruéis. No começo, Pablo até tentou ser presidente da Colômbia criando uma campanha para ajudar aos pobres, e o povo o apoiou todas as suas ações positivas, como a construção de casas, hospitais, escolas, etc., porém quando percebeu que seria impossível ter um cargo tão alto com tantas gente tentando derrubá-lo, ele viu esse sonho se desintegrar, e o povo conheceu quem realmente Escobar era, não hesitaram em dar as costas a ele. Pablo queria poder, e quando experimentou um pouco desse poder ao se tornar tão bilionário a ponto de não saber onde colocar tanto dinheiro e com fama do maior traficante do mundo, ele passou a querer mais, e estava disposto a cometer os piores crimes para conseguir ter o controle total da Colômbia. 

A série mostra em detalhes o quanto a sede por dinheiro pode influenciar um homem. Pablo nunca esteve satisfeito com o que já tinha conquistado, por isso sua necessidade de controlar tantos outros esquemas no tráfico foi responsavel pelo seu trágico fim. 

Imagem: via reprodução
Em algumas cenas, é apresentado um rápido documentário com acontecimentos e fotos do que realmente aconteceu, transmitindo veracidade aos fatos apresentados na série. Os episódios me prenderam do começo ao fim, e só consegui relaxar quando finalmente concluí a segunda temporada. Os personagens secundários também fizeram uma ótima atuação, e no meu ponto de vista, dou destaque para Límon, um jovem que infelizmente começou a trabalhar como motorista particular de Pablo e se tornou um dos seus sicários mais fiéis até o final da trama, como também para Judy Moncada, que teve sua imagem criada como uma mulher ambiciosa e vingativa ao ter seu marido e irmão mortos por Escobar, e o coronel Horacio Carrillo, que teve seu final trágico ao ser morto pelo traficante. 

Imagem: Via reprodução
Não restam dúvidas de que indico a série a qualquer pessoa, lógico, desde que tenha idade o suficiente para assisti-la, já que contém muitas cenas de sexo e violência. Nesse link da página da UOL foi selecionado algumas diferentes entre o que realmente aconteceu na vida real e o que a série mostra. No site do Adoro Cinema foi listado 10 curiosidades que vão desde a produção da série até os personagens da vida real, e algumas revelações que eu nunca me passaram pela minha cabeça. 

Em breve terá mais resenhas de séries e afins aqui no blog, por isso não se esqueça de me acompanhar nas redes sociais, e se gostou da resenha, não deixe de comentar a sua opinião sobre a série. Vai me ajudar muito a continuar escrevendo e distribuindo tanto amor por aqui. 

Ele não te quer

25 outubro 2016

Garota, você passa tanto tempo insistindo em uma desilusão que esquece de viver os sonhos que sempre te fizeram mais forte do que é. No fundo, você deve saber que tudo isso é uma grande decepção que só está começando, colocando as raízes no peito para que uma hora ou outra elas penetrem tão fundo que te faça enxergar o erro que está cometendo. 

É, você tentou, a gente sabe disso. Você desfez aqueles nós da garganta e disse todas as palavras que estavam te sufocando, preferiu abrir mão do orgulho só para ir atrás de alguém que nunca soube agradecer a atenção que recebia, ao invés de cruzar os braços e esperar que algum milagre fosse feito, você juntou alguns motivos que te fizeram acreditar que daria certo no final. Quantas mulheres precisam da coragem que você teve? 

Mas você se culpou tanto depois que percebeu que nada disso seria diferente, e tudo isso pra quê? Você continua tentando ver defeito onde não deveria existir culpa e nem arrependimento. Não é a sua roupa que te define, nem a cor do seu batom ou o tamanho do seu salto, também não precisa agir como se quisesse agradar alguém que nunca se importou com você, que só serviu para ensinar que é melhor segurar as lágrimas para não borrar o seu rímel, não precisar inventar mil defeitos na sua personalidade porque alguém não te quis, mas esse fora só te fez imaginar que você nunca seria o suficiente para ninguém, não é?

Se ele quisesse uma chance para estar contigo, ele voltaria correndo, e você até poderia deixar a porta do quarto trancada, porque ele daria um jeito de entrar, mesmo que só você tivesse a chave. Não precisa mudar o tom do cabelo, a maquiagem, ou a sua roupa, se ele realmente quisesse, não importa quantos obstáculos estivessem no caminho, ele faria de cada um deles um atalho só para te encontrar. 

Não existe desculpa para um coração apaixonado, mas ele deu um jeitinho de inventar várias só para te convencer de que você não é garota para ele, mas é exatamente o contrário, você não é mulher para um moleque que ainda está crescendo e descobrindo que com coração não se brinca. Você ainda está aprendendo a se virar, mas parece que já aprendeu a lição e a moral da história. Ele não te quer.

Cuidado, é só carência

23 outubro 2016

Acredite em mim, isso vai passar. Talvez não hoje, e nem amanhã, e muito menos nas próximas semanas, mas uma hora, quando você menos esperar, esse coração tão carregado de tantas expectativas que nunca foram levadas a sério, não será mais um problema, porque até lá você vai aprender que não mandamos nos sentimentos, que não podemos simplesmente desligar e fugir. 

Não importa o quanto você diga a si mesma que não vai mais amar, não depois de todos os foras que levou quando começou a achar que finalmente daria certo, não depois de ter se arrependido tantas vezes daquelas segundas chances que deu quando tudo o que deveria ter dito era um adeus. Não importa quais as mentiras que você conta a si mesma para diminuir a falta de alguém que não está mais presente, de vez em quando vai bater uma saudade tão insana no peito que você vai achar que é o fim do mundo, mas isso também vai passar. 

Aquela falta do tamanho do universo vai te consumir uma hora dessas. A gente é assim, é feito de metades que precisam ser preenchidas, a questão é com o que iremos completar essa parte que existe em nós, porque eu conheço muita gente que já quebrou a cara com escolhas erradas e mal feitas, decisões que fora tomadas nas piores horas só para curarem uma ferida que o tempo estava encarregado de curar, mas você teve medo de continuar com os pedaços remendados do coração aí dentro do peito. 

É, eu entendo, e acredite, nenhuma falta dura para sempre. Sabe aquela famosa frase que diz que estar carente é a mesma que ir ao supermercado com fome, qualquer porcaria serve? Então, é assim que você faz quando acha que qualquer idiota vai diminuir essa ansiedade que só cresce, é essa carência que vai te fazer imaginar um príncipe encantado onde não existe ninguém que mereça realmente o seu tempo. 

Você vai se machucar ainda mais se permitir que seu coração seja invadido um tanto de vezes sempre que acreditar que achou a pessoa certa, porque essa definição de "certo" não faz sentido, é o seu coração que manda e é dono de todos os esquemas, e não o contrário, também não precisa agir como se o amor não fosse para você. Não é todo mundo que está disposto a amar na mesma intensidade que você, então aprende que nem todo sentimento é reciproco. 

Cuidado, às vezes é só carência. 

642 coisas sobre as quais escrever #128

21 outubro 2016
128/642 - Um cheiro ruim, de onde está vindo?


É cheiro de saudade. É um perfume que eu costumava sentir tão bem, mas que agora parece desconhecido, um odor fraco que vai perdendo a graça, que vai sendo apagado bem lentamente, sem qualquer tipo de aviso ou preliminar. 

É um cheiro de quem faz falta, de quem nunca vai voltar, por mais que se queria. É cheiro de quem deixou um buraco profundo demais para ser preenchido. É cheiro de quem disse adeus em meio a um silêncio que nem deveria ter existido. É cheiro de quem não conseguiu controlar a bagunça de dentro, e deixou que ela transbordasse da alma. 

É cheiro de um domingo a tarde, após uma chuva de verão que ao invés de ter aquela sensação de alivio e leveza, é um peso que a saudade te faz sentir. É um cheiro inevitável de quem amou demais e agora não sente mais nada. É cheiro que vem do peito, dos pedacinhos partidos em mil que parecem soltos na pele, cheiro de quem sangra uma saudade imensa, mas nem uma dose controlada de morfina vai resolver. 

É cheiro de sentimento que nunca vai embora, que fica depois do último adeus. É o cheiro que uma velha lembrança trás, de uma imagem que mais parece miragem. É cheiro de um passado que não volta, de quem ainda tem esperanças de reviver o que há muito tempo foi arrancado de nós. 

É cheiro de quem se entregou demais, e não teve retorno, de quem nunca soube ser reciproco. É cheiro de madrugadas sem dormir, de insônia nas altas horas da noite. É cheiro de quem já não sabe o que falar, porque parece que as palavras não são o suficiente. É cheiro de quem tem os pensamentos soltos como uma ventania sem direção, de quem sabe o caminho que deve seguir, mas nunca o faz.

É cheiro de imensidão que não ocupa nenhum lugar, de quem precisou se espremer tantas vezes para caber dentro de um coração pequeno demais para ser invadido por qualquer sentimento que não fosse minúsculo. É cheiro de quem partiu e agora foi partido. 

É cheiro de quem sente muito, mas agora já é tarde. 

Ela é pisciana feita de sonhos,

20 outubro 2016

Ela é uma mistura de alma e coração. Enquanto todo mundo acha que entrar na sua vida é fácil, o difícil mesmo é ficar, porque ela faz uma tempestade dentro de um copo d'água, mas no fim, é ela que enfrenta seus próprios medos, depois de uma queda, ela sempre acha a melhor maneira de se erguer, afinal, ela não é o tipo de garota fácil, que se ganha só na conquista, no jeito de sorrir e nas promessas de um sábado a tarde, com ela é diferente, é tudo ou nada, não existe meio-termo.

Quando esse coração aberto se apaixona, não mede sentimento, se entrega com tudo o que tem, sem medo, porque no fundo ela sempre vai ter esperança de fazer qualquer paixão durar a vida inteira, e mesmo que seus planos sigam o caminho errado, ela dá um jeito de superar. Muitas vezes vai chorar sozinha e tentar abafar as lágrimas com o travesseiro, mas no dia seguinte aquela oportunidade de fazer tudo diferente vai aparecer e ela vai erguer a cabeça como se fosse a mulher mais forte do mundo, porque ela sabe que é, por mais que negue.

De vez em quando você vai ouvir as teorias da conspiração que ela cria e vai morrer de rir, mas aí vai perceber que ela tem um mundo inteiro dentro de si, que seus olhos são dois universos repletos de sua personalidade meio quieta e distante, mas isso só acontece porque ela passa mais tempo nesse mundo do que vivendo a realidade. Ela tem uma alma feita de sonhos, sonhos que vivem dentro de si e que transbordam nas palavras e atitudes, que fazem os seus pensamentos serem feitos de uma pureza que ninguém é capaz de entender, está aí uma das razões para ela ser tão incompreensível desse jeito, mas ela não precisa de pessoas tentando decifrá-la. Tão confusa e ao mesmo tempo tão cheia de certeza. 

É como se vivesse em um mar onde só ela consegue entender a profundidade das águas, e não é qualquer um que tem coragem de mergulhar de cabeça nessa intensidade que só ela tem, para fazer isso dá certo precisa estar disposto a sentir o que essa pisciana está disposta a te mostrar: um jeito profundo de sentir, uma maneira intensa demais para amar. Ela é feito peixe, vive no seu canto e com o máximo possível de espaço, mas quando estiver com alguém que ama, é impossível não criar tantos planos e promessas dentro dessa cabecinha desligada, e ela vai te mostrar um jeito de nadar até ter a certeza de que alcançou cada um deles.

Pensa mais nos problemas dos outros a ponto de deixar os seus em segundo plano, sofre em silêncio mais do que deveria, só que é orgulhosa para pedir ajuda, acha que tem todas as fórmulas para criar uma saída quando estiver em um beco sem uma. Dizem que ela é idealizadora, e não sabem o quanto estão certos. Quando conhece alguém, logo de cara já imagina o primeiro encontro ou quem estará levando os filhos para a escola quando estiverem crescidos. São tantos devaneios que ela se perde dentro deles muito facilmente, mas é tudo porque ela ainda tem uma esperança danada dentro do peito, uma fé que a faz nadar contra a corrente toda vez que uma tempestade aparece para deixá-la com medo. Não adianta, ela foi vacinada contra decepções depois de todas as vezes em que já quebrou a cara, mas ela ainda se entrega aos riscos de uma paixão, de um amor, de uma ideia de encontrar o cara certo, sem medo das consequências, porque tudo o que ela precisa é de intensidade, é de uma história dessas que marcam qualquer um para contar depois. Mar calmo nunca fez bom marinheiro, né?

ELA ÁRIES SAGITÁRIO PEIXES AQUÁRIO - TOURO - GÊMEOS
ELE ESCORPIÃO  

Pra não dizer que não falei das flores [1.000 Músicas]

19 outubro 2016
Texto inspirado na música Pra não Dizer que não Falei das Flores de Geraldo Vandré, produzida na época da Ditadura Militar como hino de resistência do movimento de oposição ao regime. Esse post faz parte do projeto 1.000 músicas do blog. 


Quero ser livre como um passarinho que pode voar em qualquer direção, quando o inverno chegar ou quando a primavera partir, abraçar a vida como se eu pudesse deixar os meus sonhos viverem uma única vez, ao invés de deixá-los adormecidos no peito, sair quantas vezes eu quiser em direção a algo que talvez faça algum sentido, porque razão em tudo isso não encontro.

Quero caminhar para o mais longe que eu puder, andar em estradas sem nomes, e fugir das esquinas perigosas que guardam aqueles medos que fazem a gente fraquejar, quero aprender a não dar meia volta quando o perigo chegar, mas eu também sou feita de inseguranças e medos, que na maioria das vezes vencem esse meu lado corajoso que talvez nem exista. 

Já tentei fugir de tudo isso, e em alguns instantes até parecia que daria certo, tive a esperança de que finalmente dizer adeus a essa prisão faria todos os meus gritos presos na garganta serem finalmente jogados para fora, mas esse dia nunca chegou. Nunca é dia de liberdade, de refazer aqueles pensamentos que tanto machucam a alma, nunca é momento para deixar as crianças brincarem na rua, não é tempo de expor a bagunça que eles fizeram aqui dentro, bagunça feita de pânico e horror. 

Mas é da minha natureza continuar lutando, mesmo que eu não saiba a hora certa de parar, mesmo que algumas armas sejam plantadas no lugar de flores, mesmo que alguns silêncios sejam mais bem vindos do que nossas palavras, mesmo que esses versos sejam reflexos de uma esperança que já nem sei se existe mais, e o que adianta falar tanto de paz quando só se houve falar de guerra? Mas o vazio na alma é tão grande que chega a transbordar nessas rimas. 

Mas me ensinaram que a liberdade é bem mais do que fazer suas próprias escolhas; ser livre não é buscar um jeito de fugir das prisões que nos cercam, não é procurar uma maneira de ir embora quando as coisas ficarem ruins e não pudermos suportar, liberdade não é se esconder quando vierem calar a nossa voz, mas ser livre é uma busca por verdade, por descarar as mentiras e as corrupções, é saber que liberdade começa no pensamento, das palavras, nas atitudes, na consciência, e se estivermos dispostos a lutar por um pouco mais disso, então teremos um futuro. 

Terça à noite

18 outubro 2016

É dia de pensar em nós, de refletir mais um trilhão de vezes os nossos planos que não deram certo. Do que foi e daquilo que ficou. Dia de sentir saudade do teu abraço, do teu sorriso, das nossas risadas, do teu olhar de desejo. Separei todas as minhas terças para lembrar dos nossos momentos e fazer mais mil planos que não iram se concretizar. Não que eu sofra ou goste de sentir dor, pois te ter perto de mim mesmo em pensamento me faz bem, é sensação de ser completa, é criar asas e voar para longe dos problemas, é sentir o coração pulsar um pouco mais forte, é ser leve mais uma vez. Me aconchego entre os cobertores que me aquecem até a alma e me imagino nos teus braços, desejo em sussurros que você possa sentir o quanto eu ainda te quero. 

Fecho os olhos e relembro aquele nosso abraço em frente à minha casa; era manhã de quarta, quinta? Isso eu já não lembro, só me recordo de não querer te soltar, de entender que você ainda não poderia ser totalmente meu. Pela primeira vez nos encontramos um no outro, me fiz inteira em você e os nossos corações pulsaram em sintonia, só faltou o beijo que o tempo não nos permitiu dar. Você levou consigo bem mais que metade do meu coração, carregou todo o meu querer, me roubou para si sem pensar duas vezes, me fez refém de um sentimento que hoje é pura lembrança. Infelizmente. Separei as terças-feiras não por escolha própria, mas porque foi em uma dessas que eu te vi ir embora para sempre da minha vida, foi a última vez que eu pude te olhar nos olhos e compreender que mesmo te amando por completo ainda não havia chegado a nossa hora. Dezenove de julho, terça à tarde, o amor da minha vida voou ainda para mais longe de mim. 

Em memória, ainda revivo esse momento. Tento pensar como teria sido se no lugar de te encarar eu tivesse te beijado, se no lugar de ter falado eu tivesse te amado, e se eu tivesse demonstrado mais? E se eu tivesse aberto o meu coração de uma vez? E se em vez de dizer que andei apreciando outros olhares eu tivesse dito que o único olhar que eu queria era o teu? Tudo teria sido diferente? Você ainda estaria aqui? Eu teria conseguido fazer você abrir mão de algumas coisas e embarcar comigo nessa inconstância que eu chamo de vida? Eu queria que a resposta fosse sim, mas como não tenho como obter resposta fico por aqui imaginando como tudo teria sido diferente se eu tivesse calado todos os meus "e se". Dezoito de outubro, terça à noite, quase três meses que eu não te vejo e mesmo assim ainda te desejo como na primeira vez que nos encontramos.

- Victória Dantas
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Hoje acordei com vontade de ser independente

16 outubro 2016

A vontade de não pertencer a mais ninguém além de mim mesma bateu forte quando acordei. A janela do quarto entreaberta permitia uma fresta de luz entrar, ao contrário daquelas armaduras que tanto protegiam meu coração contra um alguém que ainda nem existia. Juro que eu teria permitido alguém de entrar forçadamente no peito quando houvesse uma chance, mas uma parte de mim era teimosa demais para permitir que uma invasão dessas acontecesse. 

Me certifiquei de colocar algumas grades como proteção, uns arames farpados e alguns sinalizadores de perigo quando alguém ameaçasse entrar. Não foi por mal que fiz tanto drama quando mais um desconhecido fez o possível para me invadir a calma e tranquilidade, mas hoje acordei com vontade de não depender de nenhum desses medos bobos, que me arrancam muito. 

Quero me bastar e ser o suficiente para mim, fingir que todo o excesso de carinho e atenção que necessito não passa de um um vício feito de coisas toxicas; respirar ar puro, vento que sofra nas primeiras horas do dia, que trazem aquela brisa de quem só precisa deitar na cama e deixar o resto se resolver, leveza de quem não depende de preocupações para estar bem. 

Ainda vou achar um jeito de esquecer os caras que já passaram por aqui, que já invadiram grande parte desse território proibido, esse mar tão profundo que parece não existir fim. Ainda quero um cinema no fim de tarde ou em um desses domingos sem chuva, mesmo que o namorado esteja ausente ou o melhor amigo não possa ir, caminhar no parque durante minutos e insistir na ideia de que tomar sorvete sozinha não é tão ruim assim, permitir que alguns sorrisos me invadam a alma por causa dos motivos mais simples, por conta da natureza meio intenso que habita em mim. 

Hoje acordei e senti que eu não era mais a velha garota de tempos atrás, e que nem precisava ter aquele status de relacionamento sério nas redes sociais para me sentir satisfeita, para estar completa com aquilo de melhor que eu tinha a oferecer. Essa manhã ignorei a rotina e nem postei aquela foto depois do banho para afirmar o quanto eu era a garota feliz que insistia em mostrar isso a todos, não precisei provar absolutamente nada com as curtidas e seguidores que tanto esperava receber. 

Por um segundo, eu me bastei.

Memórias de Infância | Especial Dia das Crianças

12 outubro 2016

A infância é uma época da vida que permanece em nós até mesmo depois que crescemos, não é? Lembramos como se fosse ontem daquelas coisas que tanto nos faziam rir, mas que foram perdendo a graça ao longo do tempo, quando uma vida adulta foi apagando aquela vontade inquestionável de sermos finalmente adultos, porque de uma hora para outra, fomos obrigados a ser. Neste post trago uma série de coisinhas fofas e incríveis que tenho certeza que farão vocês se lembrar da infância, época onde as nossas maiores preocupações era escolher qual desenho assistir, tempo que não volta. 

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  • Os banhos de mangueira em dias quentes 
Talvez alguns ainda façam isso, porém nunca será a mesma coisa. Naquela época, eram só risos e brincadeiras em um final quente de tarde, não nos importávamos com nada além da preocupação de nos divertirmos, nossa cabeça era ocupada com novas descobertas e nem sabíamos que éramos felizes, memórias que nunca irão se apagar, e que já duram uma vida inteira. Ainda tinham aqueles dias em que a chuva parecia perfeita para se molhar entre tantas gotas frias. 

  • Brincadeiras que ninguém esquece 
Tenho certeza que em algum momento da sua infância você já brincou de pega-pega, esconde-esconde e o meu favorito: polícia e ladrão. A escola foi expectadora de todos essas ocasiões. Isso sim era diversão pura, era rir sem parar quando alguém era preso sem querer, quando alguém não sabia se esconder direito porque a escola não tinha tantos lugares esconderijos assim, e continuávamos inventando novos jeitos de brincar. 

  • Fazer castelos na areia da praia
Aposto que muita gente criou a expectativa de fazer castelos quando fosse para a praia, mas que no final nunca deram certo, porque era difícil construir qualquer coisa naquela areia, por mais simples que fosse. Fico feliz com as pessoas que conseguiram aproveitar essa oportunidade e pelo menos tentaram. Nunca conheci o mar, a praia, são lugares que infelizmente desconheço, mas sinto que esse dia está muito perto e quem sabe eu não tento construir um castelo que possivelmente nunca dará certo. Risos.

  • Aproveitar os passeios de escola 
E quem esquece aqueles passeios escolares? Ficávamos ansiosos semanas antes, e no dia anterior mal conseguíamos dormir, porque parecíamos que estávamos indo viajar para outro país em uma daqueles onibus lotados de alunos, e entravamos na onda quando as músicas surgiam na mente e começávamos a cantar para o motorista. 

  • Mansão Foster para Amigos Imaginários 
Esse desenhos fez parte da minha infância de um jeito que até hoje quando me lembro bate aquela saudade e vontade de reviver aquela sensação mágica de não ter problemas maiores do que não perder os episódios semanais que passavam. Para quem não lembra, é a história do Mac, um garoto que é obrigado a deixar o seu amigo imaginário Bloo em um abrigo, e visitá-lo todos os dias, caso contrário, ele será adotado, é na Mansão Foster que Mac conhece tantos personagens incríveis e legais. 

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  • Amoeba, a massinha de brincar 
Juro que uma das minhas maiores felicidades da infância foi quando ganhei essa coisa grudenta que hoje parece horrível e nojento, ainda me lembro de uma vez em que levei para a escola e me senti a pessoa mais poderosa do mundo porque vários outros alunos vieram falar comigo para saberem como era brincar com aquela coisa fria; o legal é que tinha várias cores, e a minha era vermelha. Será que aquilo ainda vende?

  • Juntar as tralhas e criar uma cabana de papelão e lenções em algum canto da casa
E achar que já era independente, que aquela seria o seu novo lar para sempre e não precisaria mais dos pais, porque você achava que já era crescido o suficiente para se sustentar e cuidar de si próprio. Essa fase ainda era nível fácil, hoje em dia essa brincadeira de se sustentar sozinho é nível hard. 

  • O enigma das bolas laranjas nos fios
E se lembram de quando íamos para algum lugar de carro e o que mais chamava nossa atenção eram aquelas bolas de basquete presas nos fios e fazíamos de tudo para achar uma explicação lógica para estarem ali ou como algum infeliz azarado conseguiu essa proeza. Mas espera aí, até hoje eu não sei porque elas existem! Google, preciso de um help. 

  • E mais uma vez o dia foi salvo, graças as meninas super poderosas
Esse desenho deixou uma saudade tão profundo de quando acordávamos cedo e ficávamos presos aqueles desenhos tão incríveis por horas e horas no sofá, enrolados nas cobertas nos dias mais frios do ano. Florzinha, Lindinha e Docinho eram as garotas que nos inspiravam com seus super poderes fodas e coragem para deixarem a cidade tranquila e longe de tanta gente bacana, como o Macaco Louco. 

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  • Doug 
Pensa em uma pessoa que foi apaixonada por Doug de um jeito que não podia perder um episodio de quando passava na Cultura, ou foi na Band?! Essa pessoa provavelmente sou eu e um pouco mais. Para ser sincera, foi daí que surgiu a ideia de escrever em diários. Doug Funnie é um garoto de 12 anos que escreve em seu diário todas as coisas que acontecem em sua vida, e toda vez acaba imaginando situações que podem acontecer, sem esquecer do cãozinho mais fofo do mundo, o Costelinha e a paixão não assumida de Doug, Patti Maionese. 

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  • Hey, Arnold 
Sem dúvida uma das melhores épocas era quando esse desenho ainda passava na Band, e contava com as aventuras de Arnold, um garoto de 9 anos que vive os melhores momentos com seus vizinhos e amigos, e hoje pensando bem, aquele lugar onde ele morava parece o Brooklyn, porém o local é fictício, e seu lar é uma pensão onde tudo poder acontecer.

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  • Todo mundo odeia o Chris 
E para fechar esse post com chave de ouro, nada melhor do que falar da melhor série que já existiu na vida de tantas pessoas, tanto crianças e adultos. Chris é um personagem que tem a família mais louca desse mundo, se mete com confusão e participa das histórias mais inusitadas com um humor capaz de tirar risadas de qualquer um. Chegávamos da escola entediados e logo em seguida já ligávamos a TV para acompanhar o seriado. Infelizmente a geração de hoje não saberá o quanto foi bom essa época do Brooklyn. 

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Se gostou do post, vai me motivar muito se você deixar um comentário falando do que achou e caso tenha uma outra série, desenho ou brincadeira que marcou sua infância a ponto de se tornar inesquecível até os dias de hoje, está esperando o que para dividir comigo? E não esqueça de me seguir nas redes sociais para acompanhar os textos cheios de amor e paixão que são postados semanalmente no blog. Um beijo. 

[Desafio das Cartas] Escreva uma carta para seu melhor amigo

07 outubro 2016

Em alguma parte do atlântico Sul, 07 de Outubro de 2016.

Dear, 
Você costumava me ler tão bem. Me lembro de você me dando várias razões para eu continuar tentando toda vez que algum motivo aparecia me fazendo querer desistir. Aquele seu abraço tinha um toque de carinho intenso demais a ponto de me arrancar todo o peso que o mundo depositava em minhas costas, um sentimento de conforto que acalmava até mesmo as partes menos estressadas de mim. E agora parece que tudo o que construímos ao longo da nossa amizade se perdeu de nós, atravessou uma curva e não voltou, deu meia volta e repensou todos os passos. 

Até agora ninguém perguntou de você, mas quando perguntarem vou inventar uma desculpa e falar que estamos bem, como costumávamos estar até mês passado, porque depois alguma coisa mudou entre nós, e desde então já me perguntei inúmeras vezes se a culpa foi minha, acredito que sim, porque se eu não tivesse colocado aquela ideia na cabeça de te contar a verdade, tudo seria como costumava ser, mas sinceramente eu não estava pronta para assumir por tanto tempo nenhuma mentira, já que na minha vida haviam ilusões demais para suportar sozinha, e agora que você se deixou fugir de mim por alguma motivo que talvez eu desconheça, estou tentando fingir ser forte sozinha, e está dando certo, afinal. 

Meu celular recebe tantas mensagens por dia, mas quando acordo vejo que nenhuma delas é a sua, e aquela incerteza da alma aparece novamente, como uma bomba relógio ponto a ser acionada. Minha intenção nunca foi te magoar, e foi exatamente o que eu fiz, porém não era justo contigo te fazer imaginar um futuro para nós com algo além da nossa amizade, não parecia certo brincar com os seus sentimentos, não enquanto eu alimentava suas esperanças em me ver não apenas como sua amiga, mas como alguém a mais. Não era justo. Se esta carta chegar até você aí do outro lado da cidade, distante de onde moro, é porque não consigo esquecer aquelas suas palavras me dizendo o quanto eu era incrível, apesar de nunca acreditar totalmente, você me fazendo companhia quando eu parecia a pessoa mais antissocial do mundo. Quando a minha alma gritava alto demais, advinha quem aparecia? Justamente você para fazer o papel de melhor amigo.

A maioria das amizades terminam assim, né? É o que sempre me falaram, e eu nunca acreditei, até acontecer conosco. Cada um vai para o seu próprio lado e de repente as coisas vão perdendo a essência, aquelas conversas não acontecem mais com a mesma frequência, a falta de assunto é inevitável, e nenhum tenta reverter esse "status" de afastamento, até ser tarde de mais. E espero que não seja para nós, ainda há chance de consertar o que está sendo quebrado, mesmo que usemos uma cola vagabunda dessas que não colam nada, a gente dá um jeito.

Não vai embora não, por favor, ninguém nunca ficou por tanto tempo, sou como a Dory procurando o Nemo, ao invés disso, estou tentando achar uma razão para dar as caras novamente, aparecer depois de tanto tempo, vê se levo um buquê de flores ou uma garrafa de vinho, mas enquanto esse dia não chega, o que sinto por você ainda permanece do mesmo jeito que antes. Sincero. Verdadeiro. Real.

Com amor,
Lua

Eu não quero amar de novo

04 outubro 2016

Meu coração implora por sossego, calmaria, mar e água de coco. Umas férias na praia, algumas saideiras sem se preocupar com horário pra voltar, alguns domingos no aconchego do sofá e algumas madrugadas de silêncio. De fato eu não quero amar de novo. Ter que mandar mensagem avisando que estou saindo ou chegando, que vou ali caminhar no parque respirar um pouco de ar puro caso me ligue e eu não atenda, que fui fazer as compras do mês porque a dispensa e a geladeira já estão praticamente vazias ou que estou indo pagar às contas. Ter que deixar recado sobre o almoço de família que sempre acontece aos sábados ou que eu preciso das minhas noites sozinha de quarta-feira, escrever, refletir, essas manias que eu tenho.

Não quero dar satisfação da minha vida a outro alguém. Não quero de novo ter que comprar e preparar presentes a cada mês de aniversário de namoro. Projetar um futuro, casa, família, filhos, quem sabe até netos, mas isso a gente não pode planejar. Não quero ter que recomeçar again. Conhecer alguém, ser amigo, ser apresentado a família, se apaixonar, pedir em namoro, namorar por tantos meses ou anos e terminar. Porque a gente sempre arranja um motivo pra terminar. E ter que chorar, rasgar as fotografias, queimar as cartas, deletar as fotos das redes sociais, trocar o status do facebook de relacionamento sério para solteiro, ter que explicar pra todo mundo que dessa vez não deu certo, mais uma vez. Ele não era o cara. Ela não era minha alma gêmea. Tentar a todo custo apagar da memória os melhores momentos e torcer pra não acabar stalkeando o ex. 

Não quero ter que pedir pra me ligar quando estiver saindo do trabalho e me avisar quando chegar em casa. Não quero ter que marcar viagens, almoços e algumas noites românticas. Eu não quero ter que amar de novo, desculpa! Não quero ter que passar pelas mesmas coisas mais uma vez. Não quero ter que lembrar de mandar mensagem de bom dia todas as manhãs. Não quero correr o risco de gostar da sensação de ter alguém por perto, de amar tão intensamente que ir embora não seja mais preciso. Ficamos por aqui, é sábado a noite, tem pizza, um vinho que comprei ontem e inúmeras séries e filmes para assistirmos. Só eu, você e esse sofá inteiro só pra nós dois. Aproveita e passa a noite comigo que amanhã eu preparo o café da manhã pra gente.

- Victória Dantas
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