Um brinde a quem quer e não pode ter

05 setembro 2016

Continuo acreditando que um dia ainda te verei por aí, quem sabe em uma livraria ou indo assistir ao seu filme favorito que acabou de lançar, sei que são os seus lugares preferidos, ou pelo menos costumava ser, só que parece que o acaso insiste em manter distante duas pessoas que um dia juraram pertencer uma a outra para sempre, mas que hoje são nada mais do que apenas duas almas que nunca se conheceram de verdade. Torço para te ver uma única vez, mesmo que seja só uma rápida olhada pela janela do seu quarto quando eu estiver passando pela sua rua. 

Já tentei me esquecer daquelas promessas que fizemos de mãos dadas, ou daquele seu olhar doce e sincero quando te entreguei a nossa aliança como garantia de que lutaria para cumprir todos os meus juramentos, ou do seu primeiro aniversário que comemoramos juntos, que na verdade acabou se tornando o último que você compartilhou comigo. É bem mais difícil do que imaginei, porque só eu sei o quanto sua ausência machuca, é dentro do peito onde a dor se torna pior, e a sua falta vai corroendo bem lentamente, como se fosse um castigo por tudo que não fui, por tudo que destruí com o meu orgulho e teimosia, com o meu jeito meio cego de enxergar a vida. 

E quem diria, depois de tantos anos, você continua aqui, e não existe dia em que não sinta aquelas lembranças do passado se acumulando sobre a realidade. É impossível, mas eu não me canso de insistir nesse meu desejo de ressuscitar todo o passado outra vez, só que de uma maneira diferente, com escolhas e pensamentos que mostrem o quanto eu também mudei, que foi uma mudança mais interna do que externa, que o meu jeito agora é doce e calmo como você sempre quis que eu fosse. Acho que eu criei, sem querer, um futuro para a gente, um horizonte onde talvez só exista eu, porque hoje você é uma figura de mulher enigmática, com uma intensidade maior do que a lua, é uma imagem de independência que não perde tempo com o que é ultrapassado, você não abre mão da calmaria para viver uma tempestade com alguém que talvez nem tenha aprendido a remar. 

Queria ter coragem para ir embora da mesma maneira que você fez quando se viu em um beco sem saída, queria reinventar novas histórias de amor para o próximo ano, queria não lembrar e partir finalmente para outra, mas sua essência vive impregnada em mim, e parece que não existe jeito de tirar a sua natureza meiga e fascinante dos pensamentos que sempre me levam ao seu adeus.

Aquele instante em que você parou de responder as minhas mensagens, e não retornou as minhas ligações, e nem se quer apareceu no portão de casa quando a chamei, foi o primeiro sintoma de culpa que senti, foi o primeiro indício de que alguma coisa havia ficado fora do lugar com a sua partida. Aquele sentimento foi quebrado em inúmeros pedaços que nunca imaginei serem tão frágeis, mas o pior é saber que arrependimento não é o suficiente para consertar todos os erros, e nunca será, é preciso seguir em frente com a intenção de não errar tanto, de fazer diferente na próxima oportunidade, mesmo que não seja com quem a gente mais sonha. 

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