Filme Ben-Hur [2016]|Crítica|Curiosidades, etc.

09 setembro 2016

Quando fui domingo ao Cinemark do Shopping Aricanduva eu estava convicta de que assistiria Esquadrão Suicida, porém quando cheguei lá a sessão havia começado e fiquei sabendo que o filme seria na sala 9, ou seja, seria no Shopping Interlar, que mesmo sendo em frente, preferi esperar outra oportunidade para assisti-lo, e por impulso, escolhi Ben-Hur. Foi algo não programado que caiu no momento certo, pois eu só havia lido a sinopse alguns dias antes, e não criei tanta expectativa para o filme no instante em que a li, porém a história me surpreendeu mais do que imaginei. 

Ben-Hur atraiu aquele tipo de público apaixonado por narrações históricas e épicas, que retratam um período diferente do que estamos acostumados a ver atualmente nos cinemas. Antes dessa nova versão ganhar as telonas em 2016, já existiu outras adaptações cinematográficas, a principal delas desenvolvida em 1959 com o mesmo título, onde recebeu inúmeras críticas positivas e ganhou o Oscar pela excelente produção, por isso tentarei não basear meus argumentos e opiniões no filme de 1959, já que ele é a grande referência quando se trata de Ben-Hur. O filme é baseado em um romance de 1880 chamado Ben-Hur: A Tale of the Christ, o autor do livro tem o foco de sua narração baseado na busca pela salvação e misericórdia por meio da existência de Jesus Cristo, ou seja, é um livro extremamente religioso, e apesar da adaptação do filme para 2016 abordar alguns aspectos religiosos, não é a questão mais centrada do enredo. Sua filmagem contou com a partição de grandes nomes do cinema, como por exemplo, Morgan Freeman e Rodrigo Santoro, e no começo do filme já é possível se engajar em um discurso proferido pelo Sheik Ilderim interpretado por Morgan Freeman contando basicamente a trajetória dos dois melhores amigos até aquele momento da história, ou seja, o filme já começa com a cena final, o que deixa aquele ar de curiosidade e questionamento de como eles chegaram até aquele momento, e em seguida, já parte para a cena de contextualização, o começo de tudo, um pouco da história dos personagens e suas características.

Qual a história do filme?
Ben-Hur retrata um dos traços mais marcantes do Império Romano e a sua peculiaridade como uma das nações consideradas mais cruéis e violentas da época, e essa imagem de natureza selvagem e bárbara é preservada até hoje quando estudamos a história de Roma. O gênero dramático se torna nítido quando é apresentada a família de Judah Ben-Hur, uma linhagem nobre evidenciada como uma das mais ricas de Jerusalém, dotada de autonomia e poder, principalmente com Judah tendo o titulo de príncipe, seu irmão adotado e melhor amigo, Mesalla, sempre nutriu a ambição em querer se tornar alguém reconhecido pelo seu povo, algo que nunca recebeu em sua vida, apesar da família de Judah tê-lo acolhido de braços abertos em sua casa e tratá-lo como se realmente fosse da família, mas para Mesalla isso não bastava, e sua indignação o fez dizer adeus ao irmão e abrir mão do carinho de sua família para sair em busca de aventuras ao redor do mundo, combatendo exércitos inimigos, e usando a guerra para levar paz aos outros reinos. Algumas cenas mostram a sua trajetória enquanto permaneceu afastado da família, e seu talento e força nas batalhas e guerras o levaram ao título de um dos melhores guerreiros na nação, e em consequência, conquistou o respeito do povo pela bravura e devoção a guarnição romana.

Judah nunca deixou de escrever cartas ao companheiro nos anos seguintes, no entanto sempre se decepcionou por não receber nenhuma resposta, chegando a achar que seu irmão havia morrido em combate. Certo dia, a família Ben-Hur recebe a notícia de que Mesalla está de volta em Jerusalém para uma passeata organizada pelo governador da Judeia, Pilatos e o seu exército. Nesse evento, ocorre um acidente no qual Pilatos quase é morto por uma flecha vinda do local onde Judah observava a passeata, porém ele não é o responsável pelo acidente, ao contrário, ele é mais vítima do que culpado, pois Judah ofereceu abrigo a um jovem que por pertencer a uma comunidade inimiga do Império Romano é considerado um adversário, e ao encontrar uma oportunidade de matar o governador da Judeia, não hesitou na tentativa, o que prejudicou toda a família Ben-Hur. Judah foi submetido a assumir a injusta acusação de traição e tentativa de matar Pilatos, já que sua família estava sendo ameaçada de morte pelos protetores do governador, e no meio deles estava Mesalla, seu irmão, que junto com os demais, o acusou sem provas. Acreditei que ele soubesse desde o início que não havia sido seu melhor amigo o responsável pelo ataque, que ele jamais tentaria tirar a vida de alguém sem razão, porém ele não dá ouvidos a  ligação com sua família e condena Judah para ser escravo em um navio do Império Romano por toda a eternidade. As pessoas que assistiram o filme acharam que Mesalla havia mandado que matassem sua própria mãe e irmã, porém apenas no final é mostrado o que realmente aconteceu com ambas.

Judah Ben-Hur se torna escravo a borda do navio romano, e durante 5 anos suporta o ódio e o desejo de vingança, porém o que o mantém vivo por meses de trabalho desumano é a esperança em rever sua família, pois dentro de si nunca acreditou que todos tivessem sido mortos.


Pontos positivos e negativos 
Embora o filme tenha suprido minhas expectativas, houve alguns pontos negativos que são bastante perceptíveis, que quando o assisti se tornam óbvias. A primeira hora de Ben-Hur são basicamente cenas de contextualização, que não mostram exatamente o desenrolar do enredo, pois é só uma maneira do público de se familiarizar com o ambiente, os personagens e suas características , e todo filme precisa dessa introdução, porém quando se trata de Ben-Hur acredito que a direção deu mais crédito a esse "começo", pois só depois de quase uma hora de filme é que é possível ver o primeiro conflito se iniciando, e antes desse tempo, surgiu aquela dúvida questionando se eu realmente havia escolhido o filme certo. O diretor fez tanta questão em prolongar as cenas de contextualização que acabou desequilibrando a cronologia do filme, pois os eventos que deveriam receber mais tempo e serem mais explorados passaram tão depressa que não surpreenderam, por exemplo, quando Judah se torna escravo a bordo do navio romano não houve tanta exploração do que aconteceu durante os 5 anos em que esteve preso, algo decepcionante. Não acredito que tenha sido um erro tão grave, e caso tenha sido, a produção fez o possível para investir na ambientação das filmagens, contanto com um cenário específico para retratar os tempos de antigamente, e essa característica foi mais além, pois as roupas, costumes e características enfatizam exatamente como as pessoas deviam se comportar naquela época. 

Sinceramente, chorei quando o filme chegou em suas partes finais, e muitas pessoas que estavam assistindo a mesma sessão também, pois consegui absorver a mensagem jogada ao decorrer do filme, e que nas últimas cenas vai ficando extremamente fácil a sua interpretação. Ben-Hur me fez sair do cinema com o pensamento cheio de questões não respondidas e com uma lição de vida que me fez querer expor meu pensamento em todas as redes sociais. Sabe aquela conversa sobre perdão que aprendemos ao longo das nossas escolhas à medida que sofremos as consequências dos nossos arrependimentos e queremos uma segunda chance de fazer tudo diferente, ou entregar a alguém a oportunidade de consertar os seus erros? A rivalidade entre Judah e Mesalla leva exatamente a esse pensamento, e até que ponto se pode nutrir o desejo pela vingança e ódio dentro de alguém. Ao longo do filme você vê uma família totalmente destruída por uma injustiça, e ficar imaginando qual será o final de cada um dos personagens é uma tortura, pois eu só consegui criar uma imagem negativa que mostrava que não haveria solução para Judah e Mesalla se perdoarem, mas aconteceu exatamente o contrário, ambos não aguentavam mais se destruírem tanto, e as consequências para o ódio e rancor os levou a quase morte enquanto competiam durante uma corrida de biga, onde Mesalla saiu gravemente ferido, perdendo uma de suas pernas por acidente, e tornando Judah o vencedor da disputa e tendo seu nome de traidor retirado, porém tenho certeza que algo dentro dele não se satisfez com a vitória, pois nada pareceu mudar com a derrota do irmão e ex-melhor amigo, isso só aconteceu quando Judah pede ao irmão para que esqueçam o passado e recomecem, algo que pareceu impossível desde o início, mas com uma simples e grandiosa atitude, uma nova história foi criada, e o passado ficou finalmente para trás. 


Aparição de Jesus 
O personagem interpretado por Rodrigo Santoro foi extremamente comentado pelos críticos e pela mídia, o enredo não precisou deixar óbvio que aquele homem simples era Jesus, as características do personagem deixaram nítida essa suspeita, pois a sua calma e tranquilidade eram gritantes. Rodrigo Santoro é um dos melhores atores brasileiros - na minha opinião - e um dos únicos que conheço que já atuou em tantos filmes estrangeiros, não ficando preso as novelas e séries do país, por isso seu papel no remake Ben-Hur foi tão bem aceito pelo fãs. Admiro a capacidade do ator em fazer parte de filmes e séries tão variadas ao longo da carreira, como por exemplo, sua presença em Lost, em Velho Chico e 300, e tantos outros títulos; se ficou curioso para saber quais os trabalhos realizados pelo ator desde o começo da carreira, confira nesse link a lista com as suas principais atuações (lista).

Curiosidades 
A produção de Ben-Hur de 1959 conquistou 11 Oscar. 
Em 14 de abril de 2015, Rodrigo Santoro esteve no Vaticano, onde recebeu a benção do papa Francisco. 
Jack Huston, ator que interpretou Judah Ben-Hur atuou na saga Crepúsculo: Eclipse como noivo de Rosalie Hale antes dela se tornar uma vampira. 
O diretor do filme Timur Bekmambetov dirigiu O Procurando, filme de 2008 que contou com a participação de Angelina Jolie. 
Rodrigo Santoro e Jack Huston estiveram no Brasil para lançamento do filme.

2 comentários:

  1. Muito boa revisão de Ben Hur. Um eu realmente gosto do trabalho que eles fizeram com este roteiristas de cinema. É um remake do filme original de 1959, as gerações que apreciaram esta versão tinha grandes expectativas para esta nova versão e pessoalmente acho que foi um grande sucesso. Foi reconfortante ver o filme com efeitos específicos desta geração eram impressionantes. O desempenho que eu gostei foi a de Rodrigo Santoro, que também estrelaWestworld, é um ator muito talentoso que certamente ter alcançado novos projetos.

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    1. Oi Camila, fico feliz que tenha gostado da revisão que fiz sobre o filme. Sinceramente a produção me surpreendeu, e como é de costume, tenho a mania de observar os mínimos detalhes de qualquer trama, identificar pontos de reflexão e ideias, e Ben Hur me fez enxergar o valor de família, de companheirismo, o quanto a vingança pode ser destrutivo se subir pela cabeça. Rodrigo Santoro teve um desempenho maravilhoso, apesar das críticas negativas que o filme recebeu, sua atuação foi incrível, e realmente ele é um ator talentoso, não é à toa que faz tanto sucesso. Beijos.

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