Desabafo de uma blogueira confusa

13 setembro 2016

Hoje fiz algo diferente. 

Quando acordei, fiz o impossível para esquecer tudo que ainda faltava e agradeci. Não aquele tipo de agradecimento forçado, por obrigação, para não parecer mal agradecida por tudo que a vida tem dado, mas com um tipo de sentimento sincero dizendo que fiz o certo, que lutei por tudo que valia a pena, e que mesmo duvidando dos meus próprios limites, consegui vencê-los. Me senti acolhida dentro da minha própria vida, algo que dificilmente acontece, ainda mais em uma manhã de terça-feira. Os últimos dias tem sido tão banais e complicados, e o único obstáculo que existe é essa renúncia em querer assumir que eu não estou bem, e já faz algum tempo que venho sentindo que nada está tão certo assim. 

Não sei se é porque estou desempregada desde junho, ou se é porque venho me preocupando tanto com os dias que ainda faltam para o ENEM, mas sempre tenho a fria ilusão de que estou vivendo uma vida que não parece a minha, alguma coisa está errada, fora do lugar, e não consigo juntar todas as peças de uma vez só para descobrir o que é esse vazio no peito. É como se existisse um espaço pronto para ser preenchido, porém nada é compatível com esse buraco, porque a profundidade torna impossível não ser engolida por ele. Não sei se é a situação de crise do país, tanto na politica ou na educação, mas estou sentindo que essa garota de 18 anos está desmoronando aos poucos, bem lentamente, quase imperceptível. Não sei como vou me curar desse vício de intoxicação que o mundo tem me obrigado a sentir. 

Isso é mais uma crise existencial de uma adulta que sabe o que fazer da vida, mas que não consegue ir atrás e arruma desculpas para não tentar, e quando tenta, inventa razões para não ir até o fim. Esse é o ciclo que tenho vivido ultimamente. Queria não sentir tanto, mas quando sinto, são as piores coisas que alguém poderia sentir. 

O blog surgiu da necessidade de continuar, de fazer histórias com tudo que já vivi, de transbordar esse esconderijo com minhas maiores paixões, é uma construção pessoal, como um diário que você compartilha com os amigos mais próximos, deixando ele mais público do que particular. Ter um espaço tão libertador é o que me deixa motivada a continuar e a não permitir ficar para trás sempre que o mundo me der uma rasteira. Mesmo assim, fico com uma baita insegurança ao criar um post. Quando preencho as primeiras linhas  de qualquer texto, me questiono se estou sendo fria demais ou sentimental de menos. Tenho medo de me tornar uma pessoa que não sou para agradar. Já renunciei tantas coisas pelo simples fato de não conseguir ser eu mesma que é como se essa garota que todos os meus amigos conheceram nunca tivesse existido. 

Venho colocando tanta pressão na ideia de ser blogueira que estou transformando isso em uma obsessão. Tento colocar uma perfeição que não existe em meus textos, torná-los especiais e melhores, chamar a atenção dos leitores como se isso fosse importante e necessário, mas é totalmente irrelevante. Não preciso de seguidores, só quero pessoas que saibam amar o que o mundo tem a oferecer, pessoas que são cheias de problemas pessoais e que não sabem por onde começar a arrumar a bagunça. Quero atrair aquele tipinho de gente que sente demais, que é intenso ao extremo, que se permite aprender, criar uma história cheia de capítulos confusos. Não quero pessoas programadas, robôs, sentinelas, ou alienados. Não sei se fiquei louca, mas acredito que é possível formar uma família através do blog, onde eu possa me colocar dentro dela e não me sentir tão presa em uma solidão que me segue como uma sombra. 

Não me lembro de quando comecei a ser essa pilha de estresse que sou hoje, essa história inacabada que nunca chega ao fim. Minha alma parece um jardim de problema, e se eu não cultivá-los, parece que não vai sobrar mais nada. Quero me sentir em casa novamente, sentir que existe um lar pronto para me acolher quando o mundo sufocar minhas palavras, mas hoje, quando choro, não existe colo para me embalar, e ainda assim, me recuso a deixar os sonhos dentro de uma gaveta, mofando à medida em que o tempo se torna indistinguível. 

2 comentários:

  1. AGRADECER, uma das melhores coisas a se fazer. Me perdoe pelo meu papo de boas vibrações, mas acredito que tudo que você transmitir volta com intensidade. E não há nada melhor que receber coisas boas não é mesmo? Independente do que esteja acontecendo, agradeça, seja pela xícara de café que tomou ao acordar, um abraço de alguém especial, um "estou com saudades". A vida é curta demais pra gente enlouquecer assim, e como eu, tu és muito nova pra viver em crise. Não que eu não viva, nós que sempre sentimos além da conta carregamos um peso enorme. Às vezes a gente sorri demais ou chora demais, e sabe de uma coisa? Melhor ser assim do que ser morno. Tudo bem não estar tudo bem. A vida não perdoa, é o país em crise, é a gente se cobrando o tempo todo, são os sonhos gritando em nosso coração para serem realizados... Mas fica tranquila, cada coisa tem o seu tempo. Uma hora você vai voltar a trabalhar, vai estar na faculdade e aposto que vai fazer muito sucesso com esse blog, você escreve com a alma garota. Realmente não se importe com números, se importe mesmo em impactar as pessoas com os teus textos. Esse blog é maravilhoso, sinta-se abraçada <3

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    1. Acredita se eu falar que quase chorei ao ler esse comentário incrível? Me identifiquei muito com o seu jeito de pensar e de ver as coisas e enfrentar o mundo, isso está bem nítido nas suas palavras, mas esse comentário, esse é realmente tudo aquilo que eu precisa ler depois de desabafar uma vida inteira em um texto que foi escrito na correria de mais um dia cheio. É por pessoas como você que continuo escrevendo, seja uma frase, um texto, uma crônica, ou qualquer rabisco, por isso sou grata a tudo que a vida tem me dado de um tempo pra cá, mesmo que tenha sido mais coisas ruins do que boas, mas tudo me fez aprender algo diferente, algo novo, e eu juro que vou tentar agradecer por cada uma delas, porque se hoje sou a garota que muitos chamam de intensa é porque a vida deu um jeitinho de me transformar nessa garota, cada coisa tem o seu tempo, o seu momento, o seu instante. A gente tem fama de querer as coisas pra ontem, e não é assim que a vida funciona. Agradeço pelas coisas mais simples de hoje, por essas palavras, por esse desabafo, pelo quarto bagunçado, pelas conversas, por tudo. Obrigado Victória, é um prazer ter você aqui <3

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