Mudaram as estações, mas você que foi embora

18 agosto 2016

Ainda me lembro de quando você foi embora, atravessou aquela porta e nunca mais voltou, ou pelo menos jurou que nunca mais me veria novamente, ainda disse que estava me protegendo, e que o fim é apenas um estágio que antecede um recomeço, porém eu não me senti pronta para começar tudo de novo, não sem você.

Entendo que grandes avanços acontecem quando damos o nosso primeiro passo, mas eu me vi procrastinando, me encolhendo contra minha própria segurança, ultrapassando o limite do comodismo sempre que possível. É difícil quando estamos sozinhos e não há mão para ser estendida em nossa direção. Sempre encontraremos uma desculpa para nunca nos levantarmos.

E você foi a minha melhor desculpa. Eu odiava sentir a sua falta toda vez que o sol se punha. Anoitecia na cidade à medida em que mais lágrimas rolavam.

Meu maior medo é que você volte quando eu menos esperar, pegando-me de surpresa quando eu já estiver distraída, quando eu já estiver sarada de todas as feridas que você deixou em mim. Não é só lá fora o inverno, parece que neva aqui dentro de mim também.

O adeus é sempre a pior parte de qualquer história, é o adeus que cria tanta desilusão, que apaga tantas expectativas, que cria tantas barreiras invisíveis dentro da gente. Minhas primaveras são cinzas como se todo o céu estivesse nublado, como se fosse a representação da tempestade que se passa em mim, tento não desmoronar, mas quando os ventos de inverno surgem, eu sou fraca demais para suportar. 

Já fazem alguns meses desde a última vez em que nos vimos; seu cheiro adocicado não sumiu de mim, a imagem de como o castanho dos seus olhos dançavam contra a luz é nítida demais para ser esquecida, seu sorriso era como uma melodia que não paro de cantar.

Não tive tempo de pedir que ficasse, porém tenho minhas próprias dúvidas de que você não aceitaria; você nunca foi o tipo de cara que luta para algo dar certo, simplesmente vai embora quando as coisas complicam, talvez seja mais fácil assim. Se eu tivesse aberto mão de todo esse sentimento desde o início, talvez fosse mais fácil lidar com o adeus e o buraco que você deixou. 


Não adianta, nem mesmo quando fecho as portas e janelas para me aquecer e evitar que mais alguém entre. Quando você foi embora, levou uma parte de mim junto, levou a pequena fagulha que me mantinha aquecida. Essa dependência de você simplesmente me mata, mas é a maneira que encontrei de continuar te sentindo sempre que possível. 

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