Minha saudade tem nome e o meu sobrenome.

14 agosto 2016

Que jeito difícil de começar. 
Que jeito terrível de formalizar essa minha mania de sempre estragar sentimentos que não são meus. Aqui há palavras em forma de saudade, de vazio, de arrependimentos. Aqui há episódios que nunca foram contados, aqui existem sensações inexplicáveis de uma alma que nunca se cansa em se jogar em histórias recém-criadas.  

Mas essa não é uma história comum, não é uma crônica ou uma narração sobre corações partidos, nem memórias de uma alma insensível e fria, aqui são verdades, são desabafos que nunca foram gritados em voz alta, mas que continuaram, durante um bom tempo, sendo arrastados por uma silêncio que mais arrancou de mim do que acrescentou. 

Quando as pessoas vão embora, elas deixam algo. Sinceramente, eu não sei o que você deixou. Não sei se foi essa saudade que às vezes sinto, ou essa falta que se desprende de mim e me transborda de vazio, que me faz ter uma alma cheia de arrependimentos. 

Me transformei nessa barreira de ferro que muitas pessoas conhecem, sou um limite impossível de ultrapassar, com uma mente repleta de pensamentos que dominam a frieza na qual lido com tudo, principalmente a sua falta. Não sei dizer que sinto falta, por isso nunca digo. Não sei como permitir que as lágrimas de saudade venham, por isso não choro. Não sei como me desmoronar quando penso nos 14 anos de memória que você deixou para trás, que você deixou em mim, por isso não penso. 

É, eu sou um poço de mistério. Já chorei por tantos motivos, já me permiti cair por tantas razões, já me tornei fraca por tantas desculpas, porém quando você entra na história, uma sou uma muralha de fortaleza, sou impenetrável pelas lágrimas, sou vacinada contra as quedas. E não sei o quanto de mim pertence a você. 

Mas eu sou apenas um esteriótipo de mentira, da negação em pessoa, da relutância em ceder a verdade. Tento me reconhecer no meio de tantas histórias que escrevo, e então percebo que é um negocio tão estranho me mascarar o tempo todo atrás de uma personagem que veste uma armadura para se esconder de sentimentos que ainda me percebem, e eu tento a cada segundo me desvencilhar deles com medo de ser fraca, frágil, e insuficiente. 

Porque eu sempre te vi como um alguém forte, um alguém que também se esconde atrás de uma armadilha em forma de fumaça de cigarro, porque eu sei que você lutou para abandonar o vício, e que não fácil escolher morrer lentamente por causa dele, mas acabou acontecendo. Eu queria ter sido sua base, seu alicerce, sua força, sua coragem, mas eu só fui aquela que nunca entendeu o seu lado, porque era egoísta demais para reconhecer o quanto você só estava preocupada comigo. 

Tenho a impressão de que não lutei por tempo suficiente, e que devia ter feito mais, ter dito mais [...] porque ainda existem palavras não ditas aqui no peito. Tanta coisa mudou depois que você foi embora, tanta coisa mudou em mim. Não sei se você me reconheceria facilmente agora. Sim, eu já fiz muita merda e já cometi muitos erros, mas eu daria tudo para que você estivesse aqui para me dar uma daquelas broncas. Fui egoísta demais para entender que suas atitudes eram por amor. 

É tarde demais para arrependimentos, para dizer tudo o que nunca tive coragem de falar, para transformar os seus últimos segundos em um adeus de verdade. Agora é tempo de seguir em frente, de olhar para trás e agradecer, mas no meu caso, eu só queria te pedir perdão uma única vez. 

Me desculpa.

2 comentários:

  1. adoro os textos que escreve aqui <3
    Te convido a participar do projeto ''Só Rindo'' e ajudar-nos a espalhar alegria na net
    Te espero!!!
    http://aspoesiasdananda.blogspot.com.br/2016/08/olaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa-assim-mesmo.html

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    1. Obrigada Linda, adoro ler seus comentários por aqui <3
      Vou adorar conhecer. Bj.

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