E quando o mundo tira muito da gente [...]

21 julho 2016

Aconteceram tantas coisas nesses últimas dias, e eu não sei como começar, apesar de saber que haverá espaço para todas as palavras que invadem minha consciência a cada instante rápido e incerto no qual sou submetida a me recordar.

A vida é uma vazio que precisa ser preenchido, e sempre saímos por aí tentando achar algo que nos faça transbordar, procurando algo que faça nossa alma pular e nossos olhos brilharem. Talvez não seja assim. Fora da gente tudo é tão incerto e improvável, são sonhos diferentes, opiniões que se divergem, e vidas que são apreciadas de maneira totalmente contrária a nossa, por isso, essa ideia de buscar no mundo algo que transborde em nós é loucura. Tudo que precisamos está em um único lugar: dentro da gente. 

Esses dias foram os piores, e tive a impressão de que o mundo havia tirado muito de mim. Eu não sabia se deveria correr, ou me esconder por aqui mesmo, só que parecia existir uma única alternativa, que era fugir. Só que quando recuamos diante de um problema, de uma dificuldade, ou daquilo que faz a nossa alma tremer, na verdade estamos fugindo de nós mesmos, de uma lição que deveríamos aprender, ou um ensinamento que poderíamos ter adquirido. 

A vida acontece quando não estamos tentando fugir. São tantas projetos não compridos, metas estabelecidas que nunca foram alcançadas, responsabilidades transformadas em ócio; deveríamos viver e não apenas existir, mas é como eu disse, o mundo, da mesma maneira que tira, também nos acrescenta, não a ponto de transbordar, mas o suficiente para buscar mais. 

Tantas coisas me trouxeram até aqui, e hoje tentei me lembrar de todos os momentos em quase vacilei, que quase dei meia volta e chorei demasiadamente até a alma secar, até sentir que o coração estava mais leve. Mas eu coloquei na cabeça, do mesmo jeito que haviam me ensinado, que não vale a pena ter uma vida de quase. É uma pequena diferença que separa a vitória da derrota, uma conquista do fracasso. É dar o primeiro passo e não conseguir, dar o segundo e falhar, dar o terceiro e cair, e nessa ação, as pessoas param e falam: eu quase cheguei lá, quase cheguei ao topo, ao emprego dos sonhos, quase alcancei a nota mais alta.

A gente permite que a coragem vá embora lentamente, só que dessa vez mais rápido do que quando ela veio; e temos tanta dificuldade em abandonar o medo, mas se dermos uma pequena brecha, ele volta, ainda mais traiçoeiro e cruel, intimidando grande parte dos nossos sonhos, e vencê-lo pode ser ainda mais difícil, mas para uma alma sonhadora, nada é impossível. 

Não estou dizendo para ultrapassarmos as barreiras mais fortes da nossa vida sempre, talvez não seja agora que os muros caiam, talvez seja uma questão de amadurecimento ou tempo, mas o que realmente vale é o pouco que fazemos todos os dias, sem desistir. Esses pequenos detalhes mudam a vida de uma maneira intensa demais para ser simples, mas tudo o que precisamos é repor tudo aquilo que o mundo nos tira, e o único jeito, é encontrar dentro da gente a certeza que ainda nós mantém de pé. 

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