Medos também quebram corações partidos

29 maio 2016
"Para aqueles que acreditam, nenhuma prova é necessária, para os que não creem, nenhuma prova é possível."
- Stuart Chase



A descrença batia na porta; batidas frenéticas e ensurdecedoras.

Não havia controle, e tudo parecia totalmente disperso, como uma fumaça acinzentada encobrindo qualquer deslumbre de certeza. Cada fragmento de ruído produzido pelo ressoar inconstante e meticuloso dos seus batimentos criava a suposta afirmação de que ainda estava aqui, respirando, apesar de tudo representar apenas o contrário. 

A aproximação ilusória do medo era friamente real, e a calorosa distância que criava a partir da grandeza de sua coragem não era capaz de ultrapassar a barreira imposta pela fraqueza e covardia. Havia um pouco em si que gritava, ferozmente, que precisava de ajuda, de uma mão que a levantasse mais uma vez. 

Não existem razões para não seguir adiante, mesmo que isso custe mais do que apenas sua liberdade, pensou, e se viu encarando sozinha seus maiores obstáculos, e entre uma queda e outra, e um soluço baixinho e discreto, e uma lagrima silenciosa e aflita, não recuou, mesmo que o próximo passo fosse incerto, e repleto de loucura. 

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