Medos também quebram corações partidos

29 maio 2016
"Para aqueles que acreditam, nenhuma prova é necessária, para os que não creem, nenhuma prova é possível."
- Stuart Chase



A descrença batia na porta; batidas frenéticas e ensurdecedoras.

Não havia controle, e tudo parecia totalmente disperso, como uma fumaça acinzentada encobrindo qualquer deslumbre de certeza. Cada fragmento de ruído produzido pelo ressoar inconstante e meticuloso dos seus batimentos criava a suposta afirmação de que ainda estava aqui, respirando, apesar de tudo representar apenas o contrário. 

A aproximação ilusória do medo era friamente real, e a calorosa distância que criava a partir da grandeza de sua coragem não era capaz de ultrapassar a barreira imposta pela fraqueza e covardia. Havia um pouco em si que gritava, ferozmente, que precisava de ajuda, de uma mão que a levantasse mais uma vez. 

Não existem razões para não seguir adiante, mesmo que isso custe mais do que apenas sua liberdade, pensou, e se viu encarando sozinha seus maiores obstáculos, e entre uma queda e outra, e um soluço baixinho e discreto, e uma lagrima silenciosa e aflita, não recuou, mesmo que o próximo passo fosse incerto, e repleto de loucura. 

As sábias palavras de Veronica Roth em Divergente

28 maio 2016

"ACREDITAMOS que a covardia deve ser culpada pelas injustiças do mundo. ACREDITAMOS que a paz não se ganha fácil, que as vezes, é necessário lutar pela paz. Mas, mas que isso: ACREDITAMOS que justiça é mais importante que a paz. ACREDITAMOS na liberdade do medo, em negar ao medo o poder de influenciar nossas decisões. ACREDITAMOS nos atos simples de bravura, na coragem que leva uma pessoa a se levantar em defesa da outra. 

ACREDITAMOS em reconhecer o medo e o que o leva a nos governar. ACREDITAMOS em enfrentar o medo não importa o que isso custa do nosso conforto, nossa felicidade, ou até mesmo nossa sanidade. ACREDITAMOS em gritar por aqueles que só cochicham, em defender aqueles que não conseguem defender a si próprios. ACREDITAMOS não apenas em palavras ousadas, mas em ações ousadas para combinar com elas. ACREDITAMOS que a dor e a morte são melhores que covardia e inatividade, porque ACREDITAMOS em ação.

NÃO ACREDITAMOS em viver vidas confortáveis. NÃO ACREDITAMOS que o silêncio seja útil. NÃO ACREDITAMOS em boas maneiras. NÃO ACREDITAMOS em limitar as riquezas da vida. NÃO ACREDITAMOS em cabeças vazias, bocas vazias, ou mãos vazias. NÃO ACREDITAMOS que aprender a violência máxima encoraja a violência desnecessária. NÃO ACREDITAMOS que devemos ser autorizados a ficar de braços cruzados. NÃO ACREDITAMOS que qualquer outra virtude seja mais importante que a bravura."
- Divergente, Veronica Roth

Depende de qualquer ponto de vista

25 maio 2016

Nem precisa me contar, eu já sei. 
Teve um momento que você se desesperou, e achou que o fim era o próximo intervalo de tempo; um segundo que imaginou nunca chegar, mas que se aproximou lentamente. 

O fim era aquele suspiro triste, aquele olhar magoado, aquelas palavras distantes, aquele toque frio, a melancolia dos seus pensamentos em uma manhã nublada, aquela falta de vontade te obrigando a dizer "não" mais uma vez aos seus sonhos. 

E enquanto o fim significar deixar de lutar mais um pouquinho, será mais difícil ainda enxergar que existe um recomeço no final da estrada, na próxima curva, que abrir os olhos é enxergar o mundo colorido outra vez, que sua opinião pode destruir muitos preconceitos e barreiras. 

Haverá medo, e um certo receio. E esse medo irá conduzir suas escolhas, e dominará todos os motivos que te fazem continuar tendo coragem, apesar de tudo. É esse medo que você irá sentir contra as batidas do seu coração, que estará em suas veias. Mas ao contrário do que dizem, é possível enfrentá-lo. 

São doses diárias de fé, de acreditar em si mesmo, de imaginar que sua capacidade é mais forte do que o receio de nunca conseguir, de se aprimorar todos os dias, de se apaixonar sempre por si mesmo. 

Sinta-se no paraíso quando estiver olhando para o seu trabalho e perceber que ele é o fruto de sua determinação, lealdade e coragem. 

Todas aquelas tentativas não esquecidas

19 maio 2016

É, e quem diria, aquela pequena dor que eu senti durante minutos que escaparam tão facilmente do meu consciente se transformou em uma barreira onde não era possível atravessar. Nada havia sido diferente, nem mesmo quando me afastei do único fio que ainda me mantinha aqui

Tudo havia sido tão instável, tantos humores, e quantas lágrimas sendo derramadas em um espaço de tempo só meu, entre uma respiração ofegante e impenetrável e um sorriso distante e apagado. Uma parte de mim já não sabia como lutar e seguir adiante, já não era continuar no campo de batalha minha maior questão, mas sim a razão por continuar

Lembrei de como o telefone ficou perfeitamente no gancho quando interrompi os últimos segundos daquela ligação; bastou um segundo para meus pensamentos explodirem e aflorarem contra minha pele através de gotas finas e imperceptíveis de suor. Se não fosse ali, entre aquele amontoado de papeis e documentos do serviço, minha fraqueza teria vindo a tona. 

E eu teria deixado cada fibra do meu corpo se render, porém existiam muitas e inúmeras vezes em que havia me permitido fraquejar, e já estava mais do que na hora de parar, de evitar tantas fugas, e tantas caminhadas que não me conduziam a nenhum lugar. Senti que era o momento certo para tentar concertar tudo, mesmo que fosse do meu jeito estranho. 

dia 24 de Maio, 2016 - futura ida ao psicólogo.