Isso não é uma promessa

31 março 2016

(Leia essa crônica ao som de Down - Jason Walker)

Uma carta de amor não lida para alguém que ainda vive em mim,
Perdoe-me pela decisão repentina de nunca mais dar notícias minhas, dos meus dias ensolarados e das noites em claro que ainda passo quando a chuva de inverno me consome lentamente. São nesses rápidos instantes em que a ficha caí, e tudo se desmorona, e meu mundo se perde, e aquele propósito é devorado pelas chamas da vida, que percebo que sinto sua falta. 

É a falta incontrolável que me arrasta até aqui, é a incerteza em saber que o fio que me conduz em direção a você pode ser quebrado no próximo segundo. O abismo é fundo demais, escuro o suficiente para apagar qualquer luz vinda de sua doce voz, aqueles murmúrios que apagam a dor, que trazem o alimento que minha alma precisa.

Minhas asas foram quebradas, e uma parte de mim se despedaçou em cacos de vidros que se espalharam por um horizonte solitário e nebuloso, e recolhê-los é a parte mais sufocante e a que mais detesto. Este é o único momento em que percebo que sem você, eu sou fraca, sou uma tempestade incontrolável, uma verdade sem vida, uma mentira sem solução, e estou caindo.

Não me deixe cair jamais, não me permita ir embora antes do fim realmente bater à minha porta. Me faça rir com minhas próprias ideias, diga que minhas palavras são inspirações que acalmam o caos do mundo ao meu redor, e que não importa o quanto eu tente, elas nunca irão se afastar da chama que ainda me queima.

Você é aquele sonho bom de primavera, e não posso deixar que me acordem, não enquanto a guerra, a fome, a miséria, a dor, consomem cada fragmento de humanidade que ainda perambula por aí, não enquanto o amor for um sentimento esquecido e uma palavra sem significado.

De alguma maneira que não entendo, eu sempre voltarei depois de uma queda, depois de um coração partido, de uma lágrima vinda sem avisar, sempre, porque uma parte de mim sempre estará em cada linha desse texto, por mais que o tempo passe. Sempre e para sempre.

E se eu tivesse coragem

22 março 2016

(Leia essa crônica ao som de Demons - Imagine Dragons) 

Eu quis folhear aquelas minhas histórias antigas e nunca abandoná-las, regressar em tempos passados e jamais olhar para trás, corrigir os erros que não foram perdoados, entender porquê cada queda me curou de mim mesma, e entender quando foi a primeira vez que observei o mundo com esses olhos, que agora encaram o passado como uma lâmina sendo apontada para o presente.

Não permaneci sobre os mantos negros da discórdia, e não precisei recorrer ao caos da minha cidade para achar as perguntas que precisavam ser ditas, e enquanto a justiça continuava incendiando minhas veias como pólvora sendo domesticada pelo fogo, eu tentei me manter sempre aquecida pela herança da batalha, pela misericórdia de nunca desistir e pelo fôlego de jamais abandonar a imposição

Eles me escolheram para a guerra, e quando eu estava distraída, com uma espada na mão, olhando o oponente como se fosse o abismo que separava a vitória da derrota, o nome guerreira martelava freneticamente em meus pensamentos, pois era somente essa certeza que eu os ouvia murmurando, e após isso, a dor de não fazer parte da imposição era como apagar essa única palavra, as letras que me fizeram continuar resistindo por tanto tempo, a minha fortaleza oculta, e se eles soubessem dos meus devaneios mentais, eu não estaria mais aqui. 

Uma parte de mim passou anos fugindo do confronto, se distanciando da fronteira que regia nossa cidade, abrindo espaço para um vazio ainda maior que apenas a desistência proporcionava. Não havia controle, não havia paz, e não existia absolutamente nada capaz de me fazer parar, até a imposição me achar. 

E eu temi a morte, porém a outra parte de mim era ainda mais forte e venceu quando tudo o que restavam eram segundos para meu coração ser quebrado e arrancado de mim, e aquela força que era imposta desde o nascimento finalmente se tornou real, e era apenas uma chama se expandindo dentro de mim, e então eles me chamaram de guerreira, e desde esse dia, eu nunca deixei que a guerreira dentro de mim morresse.

TRAÇOS DA MINHA HISTÓRIA - minhas novas tatuagens

20 março 2016
Para ser sincera, eu sempre tive um pequeno preconceito em relação a alguém que tatua algo no corpo, já que é uma atitude sempre observada através de um ponto de vista menos aceitável pela ideologia de algumas crenças, e por talvez ser um dos motivos prejudiciais para entrar no mercado de trabalho.

De um tempo para cá, eu venho mudando minhas crenças com absolutamente tudo, e não existe nada que julgue minhas escolhas, e não há nenhuma possibilidade de serem erradas ou ferirem alguma divindade, pois nossas escolhas dizem ao restante do mundo e a nós mesmos quem realmente somos, e se um dia deixarmos de decidir por nós, iremos nos tornar outra pessoa?

Eu não preciso de argumentos que justifiquem o porquê decidi fazer duas novas tatuagens; na verdade, foi realmente muito inesperado dizer a mim mesma que sentiria uma nova dorzinha na pele, agulhas perfurando tecidos, e o enegrecido de tinta penetrando o mais fundo que eu não conseguia perceber, apenas sentir. 

Porém meu corpo foi alvo de uma imposição de ideias, de alvos metódicos de inspiração, e um conjunto de obras de arte que para mim nunca terão um fim. 


O número 26 tem um significado muito especial, e representa a força do meu mundo, minhas inúmeras quedas, as lágrimas que chorei escondido, às vezes em que menti para mim mesma, toda a bravura que conquistei ao longo de 18 anos, aos momentos em que a caneta e o papel se tornaram minha melhor companhia. 

Ao amor que depositei na escrita, o amor que me fez maior e mais forte, que me fez nunca desistir da vida, que me fez enxergar um novo jeito de amar, porque é preciso talento para contar as próprias histórias como se fossem histórias dos outros, e contar as histórias dos outros como se fossem suas, porém eu acho que escrever é narrar, e narrar é um jeito de amar, um tipo de amor que tenho de maneira incondicional. 

O alfabeto tem 26 letras, e foram estas 26 letras que mudaram a minha vida para sempre, e que ainda vai mudar a vida de muitas pessoas por aí, porque uma parte de mim se comprometeu a fazer cada estudo, cada aprendizado, cada conhecimento adquirido valer a pena, porque eu acredito que as pessoas só estão perdidas, e que a escrita/literatura/livros etc. pode salvar o restante de humanidade que ainda resta em todos nós. 


Os dois dias mais importante da vida de uma pessoa, é quando ela nasce e quando descobre o porquê, e foi nessa data que descobri o porquê eu nasci, e esse se tornou o mais importante da minha vida: saber que minha missão é escrever, é amar as palavras de maneira totalmente única e diferente, e desde o dia 10.Novembro.2011, eu sonho em deixar uma marca no leitor, na sociedade, e em qualquer história que fizer parte de mim. 

Eu não penso em mudar o mundo, até porque isso é impossível, porém eu desejo acender uma chama no coração de todos os que lerem os meus textos/escritos, porque as histórias se tornam universais a partir do instante em que são escritas com a tinta da vida. 

Então não me julgue por ter feito duas tatuagens, que a maioria jamais entenderá o significado. 

Para você leitor, eu te asseguro, no entanto, que se você transformar cada ação da sua vida em uma declinação do verbo amar, você nunca irá se sentir perdido. Vai sofrer, ficar bravo, triste... mas nunca perdido.

Um abraço. 

Imagine. Invente. Sonhe. Voe e alcance - parte 1

13 março 2016

Apaguei esse começo diversas vezes; e sem me preocupar com nenhum arrependimento, eu continuei acreditando que não eram apenas letras de um sonho aparentemente longe, ou a sentença de um momento que vivi hoje ou ontem, acreditei que era um pedaço da minha alma sendo despejado para fora, para que em algum instante, também o alcançasse, mesmo que fosse impossível. 

A parte mais difícil é descobrir quem somos realmente, difícil porque nós sempre podemos ser quem queremos ser, e mudamos da água para o vinho quando menos esperamos, porém ainda temos uma chama única que talvez ainda permaneça escondida, e naquele breve momento em que finalmente tudo começa a fazer sentido, os pontos são ligados, e o quebra-cabeça é preenchido, tudo se torna claro, óbvio, sucinto, e lógico, e então temos a chave que abrirá a porta para o futuro, para o nosso amanhã. 

Eu nunca sou de começar algo e ir até o fim, porém tive que dar um basta na tentativa de sempre fugir, de sempre ser uma vítima de um fracasso, de uma desilusão, de uma mentira que sempre é usada como uma desculpa para nunca ir longe de mais ou atravessar a outra ponte. Mudar nunca é ruim, e deixar velhas manias para trás é sempre fundamental, e as vezes sonhos possibilitam que sejamos fortes para renunciar, para escolher, para desapegar, e para nos proteger de consumidores de sonhos, de afogadores de esperança, de desordeiros do caos, e de herdeiros do fracasso. 

Prometi a uma parte de mim - a parte mais humana e nobre de mim - que usaria todas as minhas forças, toda a minha fé e todo o restante de sanidade para testar uma teoria que diz que o esforço nunca mente, e que o amor por algo ou por alguém é o alimento da alma, é o combustível para o corpo, e a certeza que nos faz viver. 

Escolhi tentar como alternativa para alcançar um sonho, porque sempre temos aquele propósito, aquilo que faz a gente levantar todos os dias da cama e sorrir, mesmo que não existam motivos para ver a bondade diante de si, mas eu escolhi ver além, enxergar que ainda resta humanidade nas pessoas e que elas só estão perdidas, e nada melhor do que entender cada processo do comportamento humano por meio da psicologia. 

E quando amanhecer, eu já vou estar diferente - 18 anos

10 março 2016

Eu acordei e não tive medo de olhar para trás outra vez.
Sim, chorei por ter desistido antes do tempo, sofri quando o primeiro cara que amei quebrou meu coração, desmoronei por motivos tão inesperados, e minhas lágrimas disseram muito sobre quem eu realmente era.

Sempre tive a impressão de que a vida tem um significado especial e único, apesar de jamais parecer tão óbvio nem mesmo quando paramos para refletir na maneira em que somos conduzimos por essa estrada chamada vida. Sempre tive a certeza de que os dois dias mais importantes da vida de alguém é quando ela nasce e quando ela finalmente descobre o porquê, e sempre tive a crença de que eu sabia exatamente qual propósito eu estava seguindo.

Ano passado eu disse que não estaria aqui, disse que abriria mão de todos os meus objetivos para escolher uma carreira que não fosse considerada tão "diferente" como a escrita e literatura, mas agora, quando olho para trás e vejo que fracassei em cada tentativa para fugir do meu destino, percebo o quanto minha linha de raciocínio estava errada. Não podemos nos esconder, e não podemos fugir daquilo que amamos, pois está em nosso sangue. 

Nunca pensei que olharia para trás, ainda com 17, e compreenderia que cada escolha que fiz me trouxe até aqui, me deu a liberdade que tenho hoje, a segurança e a certeza que tento ter diante de qualquer situação. Se não fosse os meus erros, eu jamais teria encontrado respostas em meus acertos, e se não fosse a renúncia, eu nunca teria encontrado a doce paisagem de novos caminhos.

É difícil admitir que cheguei até aqui, ainda mais tendo a vida que tenho hoje, fazendo as escolhas que faço todos os dias, mas eu aprendi que cada pedacinho da minha vida é um pedacinho da minha alma que deixo por aí, para as próximas gerações, mesmo que as vezes minha única companharia tenha sido minhas próprias lágrimas.

Uma hora cansa não ter pelo quê agradecer, uma hora não vale mais a pena continuar sem um propósito ou um simples motivo para querer alcançar algo ainda maior, mas hoje eu acordei e quando abri a janela do quarto, e o céu azulado deu uma pequena brecha para o brilho do sol penetrar meu rosto, eu senti que haviam 18 motivos para agradecer, 18 motivos para sempre seguir em frente, e 18 motivos para nunca desistir de quem eu era e quem eu realmente queria ser.

7 on 7: BRINCANDO COM AS CORES - ROXO

07 março 2016
Segundo nosso cronograma mensal, decidimos que neste mês de março seria abordado o tema roxo em nossas fotografias, e por incrível que parece, para mim foi mais difícil do que imaginei achar essa textura por aí, porém muitas das minhas fotos foram inesperadas, o que me surpreendeu quando consegui destingir facilmente essas imagens por aí. 


Tirei essa foto na escola onde faço o curso técnico de Administração a noite, em um evento onde cada sala precisava fazer uma exposição sobre um tema, e o curso de Comunicação Visual realizou uma exposição com fotos de autoria própria. 

Não tem como olhar para essa foto e não pensar no meu último ano do ensino médio, e eu estaria mentindo se falasse que não sinto falta, principalmente da rotina que eu tinha, e principalmente das conversas que eu tinha com o autor da foto.

 Na época o pessoal do ensino fundamental parecia surpreender os mais velhos com uma criatividade que eles pareciam desenvolver muito bem ao longo dos meses, e um dia quando estava no intervalo, vi essa maravilha, e não perdi a oportunidade de registrar.


Grande parte das fotos que tiro é quando estou saindo do serviço, com o celular na mão e com um olhar atento a paisagens e possível belezas que estão esperando por alguém para fotografá-las.

 Meu caderninho que tanto amo. Impossível falar em roxo e não recorrer as páginas que absorvem com tanta facilidade meus desabafos, lamentações, agradecimentos, e cada pedacinho de quem realmente sou. 


Meu mural de fotos construído em dezembro. Muitas pessoas acharão que as fases da Lua são Azuis, mas é impossível que seja azul, coloquei um efeito para melhorar a qualidade da foto, e no final o resultado foi exatamente esse. 

A plantinha mais solitária do mundo em meio a tanto verde, mas que nunca deixou de produzir tanta beleza. Sinceramente, amei essa foto, é uma paisagem incrível, que ninguém nunca para por  um segundo para encarar tanto poder da natureza. 

Espero que tenham gostado do post e que cada foto tenha inspirado vocês a olharem também para as coisas simples que sempre estão pertinho de nós. 

Blogs participantes e suas fotos: Larisse | Re e Lua | Josielly | Danny | Valléria 

Não deixe que nada cale a sua voz

02 março 2016

Ninguém nunca disse que seria fácil, pois sempre sabemos que as coisas que valem a pena de verdade exigem um sacrifício de nós, porém grande parte das pessoas esquecem que para contemplarmos algo que amamos, devemos primeiramente dizer a uma parte de nós que acreditar é essencial, e ir atrás é sempre ainda mais fundamental. 

Ninguém nunca disse que você não teria medo na metade do caminho, porém às vezes seus medos serão os únicos que irão te acompanhar, medos que não contará a ninguém, que guardará dentro de você para jamais deixar alguém decifrá-los. 

Terá medo de suas próprias escolhas, e de todas as suas consequências. Terá medo de olhar para trás e não gostar do que se vê, medo de sentir arrependimentos, medo de se entregar totalmente a algo que se ama, medo de jamais encontrar seu caminho. No entanto, será cada pedacinho de incerteza que fará você continuar acreditando que sempre existe coragem para enfrentar seus defeitos, barreiras, obstáculos, e infinitas tempestades que ainda estão por vir. 

Nunca deixem que mostrem a você aquilo que apenas os seus olhos são capazes de ver, esqueça que existem pessoas te julgando o tempo todo, porque seu mundo pode ser cheio de críticas construtivas e ao mesmo tempo repleto de palavras negativas, mas cabe a você decidir o que deve ser absorvido, o que vale a pena levar consigo, porque afinal, ninguém nunca disse que seria fácil.