Entre um instante e sempre

29 novembro 2015

Acho que a coisa mais importante que devemos ter na vida, é uma família. E não me refiro apenas a uma mãe, a um pai, ou a um irmão. Família ultrapassa todos os limites de sangue, é algo mais simbólico do que uma reunião no final da tarde de domingo, mais importante do que estar na multidão de pessoas que compõem a trajetória do seu nome.

É uma inexplicável união de almas, é consolidar sua essência com inúmeras histórias que até então eram desconhecidas, é revelar-se facilmente aos que acreditam que há uma conexão, algo chamado amor. É o tipo de amor que não nasce conosco, que não criamos assim que nascemos, que não sentimos ao dar nossos primeiros passos, que não conhecemos no primeiro beijo, e sim, um sentimento puro que desenvolvemos ao longo da vida, mas não sozinhos. 

Família é reconhecer verdadeiras almas que perambulam no mundo, reconhecer seus defeitos e qualidades e mesmo assim abraçá-las como se pudéssemos preencher uma parte de nós, um pedaço de quem realmente somos. Família são também amigos, são queridos companheiros de luta, aqueles que nunca nos deixarão para trás, que acompanharam o ritmo de nosso avanço com a mesma sinfonia, com a mesma conexão. Definem amizade como a relação afetiva entre indivíduos, porém é inútil basear-se nesta definição. 

A intensidade do mundo não é capaz de descrevê-la, apenas senti-la. Família é estar bem enquanto há dor, cansaço e coisas fúteis que dominam nossa exaustiva semana, é sorrir entre lágrimas de uma dilacerante amargura, é retribuir um breve abraço, é questionar-se inúmeras vezes do quão o outro pode estar mal. 

É nunca esquecer momentos repletos de felicidade, é rir quando se está se sentindo solitário consigo mesmo, é um motivo para acreditar que ainda há esperança, que é possível esperar por pessoas maravilhosas, acreditar que o poder da união pode e irá mudar a humanidade, que não será impossível acrescentar bons atos na vida daqueles que mais precisam de conforto, de paixão, de loucuras.

Ser antissocial havia sido minha escolha, porque eu sempre tive medo do quanto eu poderia ser magoada caso me entregasse a alguém, caso caísse de cabeça em qualquer laço de amizade. O medo era maior do que minha coragem, mas eu também aprendi que não são bens matérias que constroem o alicerce da nossa vida, ou uma casa para morar, ou uma luxuosa conta bancária. São apenas detalhes. Sinceramente, o que constrói nosso caráter é a família.

0 comentários:

Postar um comentário