A arte de recomeçar

26 outubro 2018

Recomeçar... De tudo o que existe, entre tudo o que o mundo já conheceu e o que ainda é desconhecido, os recomeços fazem parte da nossa vida, e são essencialmente necessários. Acredito que seja o que recarrega as nossas forças, supre as nossas fraquezas e nos permite encontrar um novo próposito quando os anteriores já não são o bastante. 

Mas recomeçar sempre dá medo, a gente começa a sentir aquele friozinho na barriga, as mãos começam a suar e o coração até bate mais rápido, quase descontrolado. Nunca nos sentiremos preparados para iniciar uma nova jornada, seja em uma nova faculdade, em um novo emprego, conhecendo pessoas diferentes, pois a insegurança também faz parte desse processo de mudança e transformação. 

Após um tempo em uma determinada rotina, vivendo os mesmos hábitos e absorvendo a mesma gama de estímulos, acabamos nos familiarizando e uma parte de nós se acomoda fortemente. 

Mas recomeçar é um presente... É maneira que encontramos para encerrar ciclos e iniciar outros, é  a forma como encontramos um novo caminho para seguir em frente, é como nos damos uma nova chance quando as nossas próprias escolhas estiverem pesadas demais para serem carregadas sozinha, é o jeito que ouvimos nós mesmos quando as coisas de fora já não estiverem mais fazendo sentido, é descobrir que dá pra ser feliz sim mesmo quando todo o mundo dizer o contrário. 

Recomeçar é achar dentro de si próposito, força, luz, resistência. É dizer a si mesma que já chega, é entender os seus limites e até onde se é capaz de ir, é refazer o que já estava sendo feito só que de um outro jeito, de uma maneira nova, e só sua. 

Recomeçar é poder deixar de lado o passado e lembrar todos os dias que ele não vai determinar o seu futuro, porque quem você será, a pessoa que irá se tornar e o que irá fazer, depende unicamente do agora, de você dizer sim aos recomeços diários da vida, e não se abalar quando for necessário começar de novo, porque todos nós - uma hora ou outra -  precisaremos. 

Ela é azeda como um limão

22 outubro 2018

Ela aprendeu, de um tempo pra cá, a não precisar provar nada pra ninguém. Ela não é mais aquela garota que precisa ser o centro das atenções em todos os lugares que vai, e nem ficar forçando a barra pra que isso aconteça, porque ela é tão única, e tão perfeita com as suas imperfeições, que não existe olhar despercebido que não a note; ninguém sabe se é a sua beleza de outro mundo ou a sua inteligência que deixa todos de boca aberta. Ela só é assim, e ponto final. 

Essa garota é o interesse de muitos, mas não adianta chegar oferecendo presente caro, jantar romântico a luz de velas, e muito menos tentar impressioná-la com um carro de última geração, porque ela gosta mesmo é de coisas simples, de boas risadas, de casquinha do Mc Donald's em uma tarde quente, tudo com bastante calma, de ir conhecimento aos poucos e se mostrando devagarinho também, seja as suas preferências, os seus gostos, as suas manias. Ela é complicada, mas só precisa de alguém que vá descomplicando-a aos poucos. 

Ela é a mistura de muitas coisas, sabe ser grossa quando precisa, carinhosa quando a situação exige e sabe ser equilibrada quando a vida pede. Não adianta colocá-la dentro de um rótulo, porque ela vive em constante transformação, não gosta de rotina, por isso está sempre se reinventado por aí, indo pra lugares novos, conhecendo pessoas diferentes, se permitindo aprender o tempo todo.

Às vezes, ela vai guardar todo o sentimento dentro de si, vai colocá-lo dentro de uma caixinha até tudo estar tranquilo novamente, mas em outros momentos, ela vai querer falar o que sente, cada detalhe do que está pensando até esvaziar-se por completo. Já viveu tantas decepções que agora não se deixa magoar fácil, vive com uma proteção interna que a faz tomar cuidado onde pisa só pra não correr o risco de acordar no dia seguinte com alguns hematomas pelo corpo. Ela já se machucou tanto que se tornou azeda como um limão, mas agora está aprendendo a ser doce com a vida. 

[Desafio das Cartas] Escreva para alguém que se afastou de você

17 outubro 2018

Em algum lugar que não é tão importante, 17 de outubro de 2018

Dear, ou como eu costumo te chamar, vadia 
Acredita que em nenhum momento eu deixei de pensar em você, ou de qualquer forma, na gente? De vez em quando me vejo imaginando o quanto eu te achava linda, idolatrava a ligação que parecíamos ter como se ela fosse um elo inquebrável e infinito, mesmo sendo uma espécie de vínculo que me pegou desprevenida e em um dos momentos que eu mal considerava me apegar tanto a alguém, mas você deu um jeito de destruir qualquer sentimento; por menor que fosse, você foi a responsável por pisotear e esmagar toda moral que eu tinha por alguém como você. 

Você me surpreendeu de uma maneira que ninguém mais conseguiu, e foi em um ponto tão extremo que eu faço questão de te parabenizar por tanta manipulação e joguinhos de interesse. Se no começo eu fiquei triste por você ter ido embora? Mas é claro que fiquei, no entanto depois caiu a ficha do quanto eu apenas havia ganhado por você ter se afastado, porque nós duas sabemos que foi melhor assim, evitar que eu me contaminasse com tanta sujeira me fez agradecer por cada instante que você ficou longe e continua, é óbvio. 

Lamento dizer, mas a escolha foi sua. Te dei todos os motivos para que fôssemos uma dá outra, aquele tipo de amiga que segura o cabelo da outra depois de colocar para fora toda a bebida de horas antes, mas você escolheu se comportar como uma verdadeira vadia sem limites e escrúpulos, e sem o menor sendo de gratidão por todas as vezes em que eu abri mão dos meus poucos segundos para te ajudar, porque em todos os momentos eu estendi a mão para você enquanto você enfiava uma faca pelas minhas costas. 

Você se afastou, mas eu não me arrependo de não ter feito nada, porque aprendi a não ser como você, aprendi a evitar amizades como a sua, aprendi a me desvencilhar de obstáculos que nos prendem a valores ultrapassados e incomuns, a pessoas que se dizem ser uma coisa quando na verdade são o oposto, cê me fez enxergar a pessoa que realmente quero ser; tudo, menos você. Eu quase cai nas suas armadinhas, quase me iludi com as suas palavras, mas não há caráter que fique muito tempo soterrado quando outro alguém cava o buraco até saber onde está pisando. 

Mas eu tenho uma última coisa para te falar: ter sido a tua amiga, mesmo que por pouco tempo, me fez ter vergonha de mim mesma por ter escolhido você: o vômito da própria terra, a escuridão em forma de esterco, o dejeto do ser humano, a pedra na caminho que tanto Drummond disse. E se um dia você desistiu da gente, foi para a minha sorte, para que eu pudesse ser livre de um atraso que só me faria mal, você é a pior lembrança que eu tenho, e se eu pudesse te apagar, eu apagaria. 

Para vadias como você
Com amor, 
Lua

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